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sábado, 1 de fevereiro de 2020

O Dia do Orgulho LGBTI



 (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersex)
Em 28 de junho de 1969, num  bairro de Nova Iorque, a polícia  invadiu o bar Stonewall Inn , o motivo seria a venda de bebidas alcoólicas que estava em descumprimento as leis locais. É claro que por trás do motivo alegado estava um motivo maior que era o preconceito contra o público LGBT. O local era frequentado por gays. O confronto durou duas noites, e foi uma reação as várias batidas e perseguições que ocorriam ali com frequência.  Esse dia então acabou se tornando o dia Internacional do Orgulho Gay.  A 1ª parada do Orgulho LGBT ocorreu em 1º de julho de 1970, uma forma de lembrar o ocorrido e de lutar contra a discriminação e o preconceito. Ocorre em diversos países e cidades do mundo.
São vários os fatores discriminatórios perpetrados contra os homossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segregação social de pessoas que têm uma sexualidade distinta. Assim acontecem a cada hora atos de violência, atos de crueldade e humilhação contra a população homossexual, lésbicas, gays, transexual. Nesse dia acontecem vários atos e atividades de promoção de direitos  aos homossexuais e todos que fazem parte do mundo LGBTI.
Lamentavelmente a intolerância e a marginalização contra os homossexuais, contra a identidade de gênero, continuam sendo  motivo para a violência e preconceito. Segundo a Anistia Internacional, a homossexualidade é considerada crime em 38 países africanos. Em alguns países a homossexualidade é punida com a pena de morte. Ao todo temos 73 países onde a homossexualidade é criminalizada.  Os assassinatos, a violência cometida contra os LGBTs fere os direitos humanos. É inaceitável que em pleno século XXI tenhamos que conviver com a ignorância de alguns que conseguem fazer da existência dessas pessoas um verdadeiro inferno. Crimes são cometidos em nome de uma falsa moral. Pessoas se arvoram em defensores dos “bons costumes”, a pergunta que fica é: Como fazer para acabar com a intolerância? Alguns países dizem que embora a lei exista, ela não é aplicada.  No momento em que ela faz parte do ordenamento jurídico de uma nação, ela poderá ser aplicada a qualquer tempo. Isso deixa a todos em estado de vulnerabilidade, a mercê da justiça.
Ativistas de Direitos Humanos, de direitos LGBT, lutam em diversas partes do mundo contra leis que são contrárias a  homossexualidade, como por exemplo em Uganda, em que os ativistas conseguiram a revogação da lei anti gay que punia com prisão perpétua qualquer demonstração de homossexualidade. A lei ainda existe, mas não mais obriga os ugandenses a delatar os integrantes da população LGBT, e a pena é de vários anos de prisão.
No Brasil a violência contra a população LGBT é alarmante. Estamos entre os países em que mais ocorrem atos  violentos contra esses grupos. Os estados com maior número de denúncias pela ordem são: São Paulo e Rio de Janeiro. Os assassinatos continuam, as atrocidades cometidas pela ignorância levam a morte um LGBT a cada 26 horas.
“Conforme dados do Grupo Gay da Bahia e da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, 445 pessoas LGBT foram assassinadas em 2017 no Brasil, sendo que 179 eram travestis ou transexuais.”
Vivemos um período de mudanças, onde se faz necessário o reconhecimento dos direitos dessas minorias, e a aplicação de políticas públicas mais tolerantes inclusivas e de respeito à diversidade.
A diversidade existe. Saber lidar com isso é fundamental, assim como valorizar a diversidade sexual como um direito humano, que faz parte de vários outros direitos que permeiam nossa existência e que permitem uma vida mais digna, livre de preconceitos.
A homofobia deve ser combatida em todas as esferas: política, social e cultural. Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, imaginava-se que as barbáries e a violência contra a pessoa humana desapareceriam (PEREIRA; CAMINO, 2003). No entanto, o desrespeito e a violação a esses direitos continuam existindo. Moore Junior (1987), em seu livro, diz que as normas básicas devem existir e a sociedade deve obedecê-las, inclusive aceitando as várias formas de punição, demonstrando, assim, maturidade e aceitação dos valores que fazem parte dessa sociedade; ou seja, o desrespeito e a discriminação ao outro devem ser punidos, pois, se existe uma Declaração Universal dos Direitos Humanos protegendo nossos direitos básicos, ela deve ser cumprida.
Que essa data sirva para nos lembrar que  devemos continuar na luta contra toda forma de discriminação e preconceito. Que se consiga fazer com que as pessoas pensem a respeito, se conscientizem da importância de combater a homofobia e de trabalharmos todos para obtermos uma sociedade mais justa, livre e igualitária.
Mariene Hildebrando
Especialista em Direitos Humanos






Justiça Social, conceito amplo!


Justiça Social, conceito amplo!
O Dia Mundial da Justiça Social é  comemorado em 20 de fevereiro. Foi criado pelas Nações Unidas em 2007.  A justiça social se fundamenta em princípios morais e éticos, princípios políticos e direitos fundamentais como a igualdade, a solidariedade, a dignidade da pessoa humana.  Quando falamos em igualdade, estamos falando da igualdade de direitos, e quando falamos em solidariedade ligada a justiça social, falamos de uma solidariedade coletiva,            daquela que tenta minimizar as diferenças sociais daqueles que vivem em situação delicada de pobreza. A ideia de solidariedade ultrapassa as fronteiras, é global, se prioriza o bem comum, os interesses da humanidade.
A importância de um dia assim nos faz perceber que é preciso fortalecer o empenho para que a exclusão, a pobreza, a discriminação e o preconceito, a falta de oportunidades e a falta de trabalho continuem aumentando. Um dos principais objetivos da Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Social é a eliminação da pobreza e da discriminação seja de que tipo for. Esse dia une a comunidade internacional em torno de objetivos comuns.
O conceito de justiça social engloba a igualdade e as oportunidades que todos devem ter. São políticas criadas para solucionar esse cenário de discrepâncias sociais e de exclusão em que se encontram as sociedades. Através da justiça social se procura sair dessa situação de fragilidade instabilidade e insegurança  que nos deixa vulneráveis. Cada país sabe o que tem que ser melhorado, o que precisa de sua atenção e assistência constante, cabe a eles promover políticas de inclusão, criar postos de trabalho, só assim o cidadão pode ter dignidade e pode ser livre para planejar seu futuro.
O desenvolvimento deve ser para todos, sem distinção de cor, gênero, credo, raça, sexo. O Estado deve procurar o equilíbrio, quando ele não ocorre temos os protestos, as pessoas indo às ruas reivindicarem aquilo que acham que tem direito, mas quando o Estado intervém, podemos dizer que essa intervenção é correta? Ele age de acordo com nossos interesses ou com os seus interesses? Uma questão para refletir.
. Pela justiça social o acesso a riqueza seria mais equitativo, não haveria poucas pessoas muito ricas, e nem muitas pessoas muito pobres. Os recursos devem ser compartilhados igualmente, os direitos humanos respeitados.
Concordamos que não é fácil atribuir um conceito a justiça social, muito menos concretizar políticas que assegurem direitos iguais para todos, mas esse é o desafio das nações. Existem várias vertentes, cada uma com sua ideia de justiça social, que irá variar de acordo com sua filosofia, religião, ideais políticos. Mas acredito que essa discussão está sempre presente, e que todas as tentativas para que se tenha um mundo mais justo e igualitário são válidas. Platão e Aristóteles já escreviam sobre a importância da igualdade para a felicidade e o bem estar das polis.
A nossa constituição de 1988, tem o princípio da igualdade formalizado em seu art. 5º, mas a realidade que se apresenta é totalmente diferente do ideal, as diferenças sociais e econômicas são imensas, a pobreza não diminui, a educação continua não sendo acessível para todos, o acesso a moradia digna, a saúde, ao emprego decente, deve fazer parte das estratégias para reduzir as desigualdades.
Quando falamos em igualdade para todos, temos que ter em mente as nossas diferenças. As políticas sociais tem que se ater ao cidadão no seu contexto. A efetivação dos direitos fundamentais, dentre eles o da igualdade e dignidade da pessoa humana passam constantemente por novos desafios, aplicar a justiça social é mais um deles.
Uma sociedade mais igualitária em todos os sentidos, e que se preocupa com o outro, que preza a igualdade como um direito precioso do qual não podemos prescindir  talvez seja uma utopia, algo difícil de realizar e  que adquiri vários contornos conforme o pensamento de cada um. Talvez devamos nós fazer a justiça social, e não deixar tudo nas mãos do Estado. É necessário entender que se queremos uma sociedade mais justa com menos desigualdades sociais devemos ser atuantes e fazer as mudanças que queremos ver, Cada atitude é fundamental nessa luta que é de todos.

Mariene Hildebrando
E-mail: marihfreitas@hotmail.com


O Des (Respeito) aos Direitos Humanos


Mesmo depois de tantos anos da Declaração dos Direitos do Homem estar em vigor, ainda é fato que não se conseguiu fazer com que ela seja respeitada na sua totalidade. As violações continuam a existir, em todos os países, de todos os tipos possíveis. As torturas, a violência contra a mulher, a xenofobia, o preconceito, o trabalho escravo, o abuso infantil, as comunidades indígenas, a falta de liberdade de expressão, o desrespeito a religião do outro., as minorias, lésbicas, gays, bissexuais, trans ou intersex (LGBTI). Os refugiados que sofrem com a discriminação. São tantas as violações e abusos cometidos que fica difícil citar todos.
Segundo A Declaração Universal dos Direitos do Homem, “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.  Os Direitos Humanos são princípios que servem para garantir nossa liberdade, nossa dignidade.  Martin Luther King, Jr. Disse que “Uma injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todos os lugares.A paz da humanidade passa pela defesa dos Direitos humanos, sem a qual a sociedade não evolui.
            Violar os direitos humanos implica em situações que ameacem ou violem os direitos básicos fundamentais de todo e qualquer ser humano.
Segundo relatório da Anistia Internacional de 2009 pessoas estão  sendo torturadas ou maltratadas em pelo menos 81 países; julgamentos injustos são constatados em pelo menos 54 países; cerceamento da liberdade de expressão  em pelo menos 77 países; não há liberdade de imprensa em muitos países e os que discordam  são silenciados .
No Brasil, alguns dos direitos mais desrespeitados envolvem a liberdade de expressão, conflitos ambientais, conflitos relacionados ao tema, orientação sexual. O desrespeito à população negra também está nessa lista, eles são afetados pela violência, preconceito e discriminação.
Os negros têm menos acesso à saúde, à educação, fazem parte da parcela mais pobre da população, são a maioria nos presídios. As estatísticas mostram que os negros (pretos e pardos) são a maioria da população brasileira e estão entre as maiores vítimas de homicídios. O racismo e a injustiça social provocam a exclusão dessa população, através da segregação cultural e socioeconômica. Assim como os negros, existem outras minorias que sofrem com a violação dos direitos básicos.  Precisamos que o governo assuma o compromisso de fazer valer o repeito aos direitos humanos, praticar ações e políticas que protejam essas minorias.
             Tivemos em 2017 uma denúncia de violação dos direitos de crianças e adolescentes a cada 6 minutos, no rastro desse desrespeito aos direitos humanos estão os idosos, que sofrem com o descaso das pessoas e do poder público. Esse descaso tem um cunho cultural muito forte. Em vez de  valorizar as pessoas que trabalharam por seu país, elas são negligenciadas, e para muitas famílias são  consideradas um peso. Tivemos uma denúncia de violação de direitos humanos a cada minuto no ano de 2017. Denúncias de crimes cometidos contra deficientes, idosos, crianças, adolescentes, pessoas LGBT, moradores de rua, crimes de racismo etc. Isso demonstra que as pessoas estão mais atentas ao que está ocorrendo, mas infelizmente isso não diminuiu o número de violações. Elas continuam crescendo tanto no Brasil, quanto a nível mundial.
A desigualdade reina, as conquistas realizadas pela humanidade em prol dos Direitos Humanos ainda não são suficientes,  muito precisa ser feito.. Os direitos fundamentais são garantidos constitucionalmente, internacionalmente, mas só isso não basta. Cabe a nós fiscalizarmos para que eles sejam efetivados, e para que possamos assim usufruir de uma sociedade mais plena, digna e igualitária. A defesa dos direitos humanos é o que vai salvaguardar a paz e a justiça entre os homens.
Mariene Hildebrando
e-mail: marihfreitas@hotmail.com




domingo, 18 de novembro de 2018

O Direito a Alimentação

imagem retirada da internet
O Direito a Alimentação

O direito humano à alimentação está entre os direitos sociais no "Art. 6º  da Constituição Federal - São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma da constituição.
O direito à alimentação também está no artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e se encontra em vários outros documentos internacionais.
O direito a alimentação deve ser garantido a todas as pessoas, e para que isso seja possível é necessário que elas tenham como se sustentar por seus próprios meios.  Ao Estado cabe garantir e promover os meios para que isso aconteça, através de políticas públicas que sejam direcionadas principalmente para a população mais carente. No direito a alimentação está incluído o direito de acesso a água, sendo que o direito a alimentação deve estar adequado ao contexto de cada pessoa.  Ter direito a uma alimentação digna, não passar fome é um direito do ser humano essencial à dignidade humana, ao desenvolvimento e à sobrevivência da pessoa. Passar fome é uma violação dos Direitos Humanos. Esses interesses chamados de difusos ou coletivos são de todos, e são protegidos pelo direito.
Junto com o direito à alimentação estão garantidos outros direitos importantes, por isso dizemos que ele é pluridimensional, como o direito à vida, a moradia, etc. É um direito indispensável que ratifica outros direitos fundamentais, como a dignidade humana, a liberdade, a igualdade, sendo o direito à vida imprescindível para que possamos usufruir de todos os demais direitos. Cabe ao Estado promover a consumação desses direitos básicos e a nós, cidadãos cobrar do Estado o seu cumprimento.
A pobreza e a fome são uma realidade brasileira e mundial.  Mais de 13 milhões de brasileiros estão em situação de vulnerabilidade em relação à fome. As classes mais atingidas são as populações que vivem na periferia das grandes cidades, mulheres, negros e pardos,e a população nordestina, estão entre os mais necessitados de alimentos. Esse número se origina de várias causas, entre elas, a grave crise econômica que o país atravessa nos últimos anos, o aumento do  número de desempregados, e, consequentemente isso afeta o investimento em programas sociais, o que pode nos fazer voltar a fazer parte do mapa da fome da ONU( Organização das Nações Unidas) do qual conseguimos sair em 2013, onde menos de 5% da população sofria com a fome. Infelizmente a grave crise que atravessamos fez esse número aumentar de maneira considerável, e a miséria dificulta o acesso ao alimento, junto com outros fatores.  Aumenta a pobreza, consequentemente outros problemas surgem em razão disso, como vários tipos de doenças, desnutrição, distúrbios e doenças causados pela falta de vitaminas, aumento da mortalidade infantil, baixo desempenho escolar e outros. O problema não é que não haja alimentos suficientes, são vários os motivos pelos quais algumas pessoas não conseguem ter acesso ao alimento, um deles é a má distribuição dos recursos básicos para que as pessoas consigam ter acesso aos alimentos, à infraestrutura insuficiente dificulta o contato com os centros urbanos. Outro problema é a enorme desigualdade social, que faz com que algumas pessoas não tenham uma renda que lhes permita comprar alimentos.
A Fome no Brasil e no mundo é uma realidade, são milhões de pessoas no mundo que se encontram na faixa dos subnutridos. O problema aqui não é apenas a saúde, mas a desigualdade que faz com que esse problema seja de difícil solução.  È necessário aplicar mais em políticas públicas para evitar o avanço desse mal. Programas sociais, inclusão, geração de empregos, metas viáveis através de um esforço conjunto, em que a prioridade seja a dignidade da pessoa humana.
Combater à fome, a miséria, promover o acesso aos alimentos de maneira mais igualitária é questão prioritária que envolve a ética, o exercício da cidadania, a saúde pública. O Estado democrático de Direito deve salvaguardar e garantir a todo ser humano igualdade de condições e uma existência digna.
Uma sociedade mais igualitária em todos os sentidos, e que se preocupa com o outro, que preza a igualdade como um direito precioso do qual não podemos prescindir, é o caminho para  a concretização do sonho de um Estado verdadeiramente democrático

Mariene Hildebrando
e-mail: marihfreitas@hotmail.com


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Rumo aos 70 anos da Declaração dos Direitos do Homem

                                                                                                                                       imagem retirada da internet
No dia 10 de Dezembro deste ano, completam-se 70 anos da declaração universal dos Direitos Humanos. Um marco na busca pela igualdade dos homens e uma data para nunca mais ser esquecida. Nos dias de hoje, pelo menos em princípio, todos os homens nascem iguais. Mas isso já foi muito diferente. E a casta em que se nascia, bem como o sobrenome que se carregava, poderia ser algo que iria definir a sua sorte [boa ou má] pelo resto de sua vida.
            Longos foram os anos em que os direitos dos homens eram poucos ou inexistentes. Onde  a vida humana eram até mesmo propriedade privada de outros seres humanos, cabendo a estes decidirem se eles possuiriam algum direito ou se desfrutariam apenas do direito de estar vivo para servir. Punições cruéis ou trabalhos forçados eram comuns, e fazem parte da história de todas as civilizações onde o poder de alguns poucos prevalecia sobre a vontade de muitos. E ainda que se pense que em alguns lugares do mundo em que vivemos, estes cenários ainda existam, é inegável que houve um avanço significativo no que diz respeito aos direitos humanos. Hoje é indiscutível que, mesmo o cidadão mais comum, deve ter  garantido os seus direitos civis e políticos, seus direitos naturais tais como:  direito à vida, à propriedade , à liberdade, à igualdade, à segurança e tantos outros que hoje parecem tão comuns a todos, mas que já nos foram negados  em um tempo não tão distante assim. Acontece que todos esses direitos mencionados  são aquilo que chamamos de Direitos Humanos fundamentais ou seja, os direitos de todos os seres humanos, direitos naturais, que possuímos desde sempre, são direitos inalienáveis.  O fato é que é consenso entre  as  nações que, nos dias de hoje nenhuma civilização pode sustentar-se sem a ideia de que sem os direitos fundamentais  um povo jamais poderá ser completamente livre.
            De forma mais detalhada, os Direitos Humanos são um conceito filosófico mais antigo do que se imagina. E têm sua gênese em um momento da história onde essas duas palavras, sequer eram imaginadas. Podendo citar-se o “Cilindro de Ciro” como um precursor dessa ideia. Neste documento, escrito por Ciro II, rei da Pérsia, já eram declarados conceitos como liberdade de religião e abolição da escravatura. Tendo este, chegado a ser descrito como a primeira declaração universal dos direitos humanos já existentes. Já na Roma Antiga, todos seus cidadãos com vida política possuíam a chamada “Cidadania Romana”, e o cristianismo,  na Idade Média defendia a igualdade de todos os homens.  Bem, se tantos conceitos de liberdade e igualdade surgiram de tempos bastante antigos seria lógico perguntar-se por que demoraram tanto para que pudessem ser  devidamente estabelecidos. A verdade é que em toda a história da humanidade a tirania e a opressão foram uma constante entre os povos. E os documentos já mencionados, assim como uma adição de documentos que viriam [como por exemplo a “Magna Carta”] foram uma tentativa de contrabalancear o peso da injustiça que caía de uns homens sobre os outros. Mas um problema recorrente era de que essas declarações eram subjetivas e variavam conforme os povos.  A Declaração Universal dos Direitos Humanos tratou de universalizar os direitos, mostrando que não podiam ser tratados como assuntos particulares de cada Estado.
A Declaração surgiu após a segunda guerra mundial, numa tentativa da ONU- Organização das Nações Unidas- de resgatar a dignidade humana por todos os países, um comprometimento que visa a preservação e a promoção dos direitos humanos.
            É um documento internacional que pretende afirmar os direitos universais do ser humano. Segundo o documento, “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”
A violação dos direitos humanos continua ocorrendo em todos os lugares, em vários países, infelizmente.  Aqui no Brasil a secretaria de Direitos Humanos divulgou que o número de denúncias de violação desses direitos aumentou 77% em 2012.
Os desafios que ainda temos são grandes. A violência gerada pelo ódio e a discriminação continuam a existir. O desrespeito à pessoa humana também.  Pessoas com subempregos, sem ter onde morar, fugindo de guerras, saindo de seus países e muitas vezes não tendo acolhida e ajuda, o tráfico de pessoas, a escravidão, o trabalho infantil,  a fome, a educação sucateada,são tantas as violações que não dá para  enumerar todas.
Direitos humanos servem para designar a mesma coisa, os direitos fundamentais do homem. Correspondem às necessidades básicas do ser humano, aquelas que são iguais para todas as pessoas e devem ser atendidas para que se possa levar uma vida digna.  São princípios que servem para garantir nossa liberdade, nossa dignidade, o respeito ao ser humano para termos uma sociedade com igualdade para todos.
É inegável que a humanidade evoluiu muito na forma como trata seus semelhantes. Ainda estamos longe do ideal imaginado, muitos seres humanos ainda estão desprovidos de seus direitos mais básicos. E por isso mesmo é tão importante ressaltar esta data que virá. Pois ela marca exatamente o ponto em que estamos. Ainda que longe do ideal, é o momento de maior igualdade e justiça que a humanidade jamais vivenciou ou experimentou. Desafios? Temos muitos. Mas a nossa possibilidade de vencê-los é, neste momento, maior do que jamais foi em toda a história da humanidade. E isso é, certamente, um grande motivo para ser comemorado.
            Um brinde aos direitos de TODOS os seres humanos!

Mariene Hildebrando
e-mail: marihfreitas@hotmail.com

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A Desigualdade de Gênero: Homem x Mulher

A desigualdade de gênero não é um “privilégio” do Brasil. Infelizmente ela existe desde a antiguidade e persiste até nossos dias. Mas afinal o que é gênero? Gênero pode ter vários significados, aqui nos interessa o significado de gênero em relação ao homem e a mulher. Alguns conceitos:
“Conceito que engloba todas as características básicas que possuem um determinado grupo ou classe de seres ou coisas.”
“Conjunto de seres ou objetos que possuem a mesma origem ou que se acham ligados pela similitude de uma ou mais particularidades.”

Nossa constituição estabelece em seu artigo 5º, inc. 1º:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição ;

            Temos garantida a igualdade de todos constitucionalmente,  no entanto, esse amparo legal sofre  diversas violações no dia-a-dia, o desrespeito a esses direitos acontece a todo o momento, expondo a fragilidade de nossas normas jurídicas perante séculos de discriminação contra a mulher. A mulher precisa trabalhar dobrado para conseguir um salário igual ao do homem. Tem dupla ou tripla jornada de trabalho, visto que trabalha em casa também. A mulher sempre foi vista como um ser inferior e que devia submissão ao homem, e, embora esse quadro venha mudando ao longo dos anos, através de lutas e movimentos feministas, a participação feminina na política, na educação, no mercado de trabalho continua desigual.
A desigualdade de gênero fere princípios e direitos básicos do ser humano, no caso a mulher em especial. Fere o princípio da dignidade humana É sobre a liberdade e a igualdade que está fundamentada a dignidade da pessoa humana. Desrespeitar e desvalorizar alguém, tratar de maneira diferenciada, humilhando e discriminando em função de gênero, é tratar com desigualdade e ferir a dignidade do ser humano. Não é aceitável que discriminações/preconceitos sejam eles de que tipo forem, invalidem e limitem direitos que são  essenciais e fundamentais para a democracia, agindo assim com certeza estaremos fortalecendo a desigualdade social que já existe. Há quem defenda a tese de que homens e mulheres por serem biologicamente diferentes teriam justificadas as desigualdades existentes. É inadmissível usar as desigualdades biológicas para justificar seja lá o que for que exclua a mulher, que discrimine, que  use de violência, que produza qualquer tipo de injustiça.
             A expressão gênero foi utilizada pela primeira vez no Brasil na Convenção de Belém do Pará em agosto de  1996. Está incorporada nas legislações de vários países bem como nas normas internacionais. No Estatuto do Tribunal Penal Internacional (Roma 1998) está incorporado o conceito de gênero: o art. 7º, item 3, “entende-se que o termo “gênero” abrange os sexos masculino e feminino, dentro do contexto da sociedade, não lhe devendo ser atribuído qualquer outro significado”.


            A ONU divulgou o relatório O Progresso das mulheres no mundo, (2015-2016),que mostra que as mulheres recebem um salário quase 30% inferior ao do homem na mesma função. Segundo a ONU, “as mulheres são responsáveis por uma carga excessiva de trabalho doméstico não remunerado referente aos cuidados com filhos, com pessoas idosas e doentes e com a administração do lar.” ( Agência Brasil/Direitos Humanos).

            A ONU Mulheres foi criada em 2010 para tratar da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, investindo na capacidade econômica das mulheres como forma de garantir a diminuição da desigualdade existente. Segundo a ONU o Brasil  tem trabalhado para que essas diferenças diminuam, e se destacou pela criação de mais  trabalho para a mulher e por políticas de inclusão na vida econômica do país. Ações públicas que se propõe a diminuir as desigualdades são de extrema importância e permitem que avancemos  na luta por trabalhos decentes e redução da desigualdade salarial entre homens e mulheres, maior participação política  da mulher, e tantas outras medidas que podem ser tomadas e que valorizem o papel da mulher no desenvolvimento do país.
            Não é fácil mudar uma história de anos de preconceito e discriminação de uma sociedade patriarcal. As desigualdades não são apenas a nível cultural, mas econômicas, políticas, e decisórias. Apesar das mulheres superarem os homens em nível de escolaridade, de representarmos mais da metade da população e do eleitorado, e sermos quase 50% da população economicamente ativa do país, o abismo entre homens e mulheres ainda é grande.  Precisamos ocupar os espaços que ainda não ocupamos em função da desigualdade acentuada, políticas de enfrentamento são bem-vindas. O que queremos é uma sociedade mais justa e igualitária que garanta a todos, igualdade e oportunidade, independente do gênero, da cor, da raça.

Mariene Hildebrando
Especialista em Direitos Humanos
Email: marihfreitas@hotmail.com









Direitos humanos ou Direitos dos bandidos?

Eis uma pergunta que sempre é feita para quem defende os Direitos Humanos. Direitos humanos só servem para proteger bandidos?.  Não. Direitos humanos são direitos fundamentais que possuímos e são para todos. A defesa dos direitos humanos não é algo individual apenas, garante  direitos a todas as pessoas. Não existem garantias que um cidadão inocente não possa sofrer algum tipo de perseguição ou constrangimento ilegal, e vir a ser tratado como bandido, e até o engano ser desfeito ele vai querer alguém lhe defendendo e garantindo seus direitos. Esses direitos não são, portanto, prerrogativas de bandidos apenas, e sim da sociedade em geral.
Perguntas que demonstram o quanto as pessoas estão preocupadas com o seu umbigo apenas. Minha resposta é simples. Todos têm direito ao Direito, e os Direitos Humanos são para HUMANOS! Simples assim. Mas parece difícil convencer aquele que se acha melhor que o outro porque não cometeu “nenhum crime”, as justificativas são muitas. As críticas são imensas, e a ala mais conservadora da sociedade acha que os direitos humanos servem para privilegiar bandidos, legitimando a conduta transgressora, através de uma punição segundo eles inexistente, pois não pune. Nesse sentido o entendimento é que somente uma postura violenta e dura daria resultado e faria a criminalidade diminuir, algo como : Bandido não tem direitos, e qualquer punição que sofra ainda é pouco.
            Direitos humanos ou Direitos naturais, individuais, servem para designar a mesma coisa, os direitos fundamentais do homem. Correspondem às necessidades básicas do ser humano, aquelas que são iguais para todas as pessoas e devem ser atendidas para que se possa levar uma vida digna.  São princípios que servem para garantir nossa liberdade, nossa dignidade, o respeito ao ser humano para termos uma sociedade com igualdade para todos.
            Se são universais subentende-se que são para todos, independente de credo, raça, cor, sexo, posição política, social, econômica etc. inclusive para bandidos. Portanto dizer que os Direitos Humanos se preocupam apenas com bandidos é uma falácia. Não podemos ser tão ingênuos a ponto de querer isolar o criminoso pensando nele como apenas um indivíduo mau caráter, de má índole. Essa visão simplista não se sustenta. O sujeito é fruto de vários fatores sociais. Como as pessoas viram marginais?  Por acaso as pessoas nascem bandidos? Prevalece em nossa sociedade injustiças e desigualdades profundas que são a base para a criminalidade. Não somos a favor do crime, e todos que são vítimas têm o direito de ficarem furiosos com isso, mas não respeitar os direitos humanos não vai ajudar a mudar esse quadro que aí está, pelo contrário, só vai fomentar o ódio e aumentar a criminalidade.
 É certo que nada justifica o crime ou qualquer outro tipo de violência. Tudo que fere a dignidade humana deve ser combatido, mas dizer que os Direitos Humanos são apenas para bandidos é não querer encarar a realidade que vivemos que é a da desigualdade social.
            É natural que os defensores dos direitos humanos dediquem mais atenção àqueles que são mais frágeis e que ocupam uma posição menos privilegiada dentro de uma sociedade. A impunidade tem sido uma das bandeiras dos militantes dos direitos humanos, dizer que bandido bom é bandido morto é menosprezar a vida humana, é dizer que uns são melhores que outros, e se arvorar juiz da vida, determinando quem deve morrer e quem é digno de continuar vivendo.
    Quando falamos em Direitos Humanos, muitas ideias passam por nossa cabeça, muitos assuntos e discussões, vemos os direitos humanos serem violados a todo o momento em todos os lugares, e, em todos os tipos de sociedade. Portanto discutir o direito dos criminosos é discutir o direito de seres humanos. Bandido, criminoso, tem que ser punido sim!  Mas essa punição não cabe a nós cidadãos comuns, e sim ao Estado que tem como função promover o bem comum, zelar pela segurança e bem estar do cidadão.
            A insatisfação social ocasionada pela ineficiência do Estado em punir, gera a vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Isso se percebe nos linchamentos e casos de vinganças que ocorrem diariamente. É verdade que a criminalidade aumenta cada vez mais e isso nos assusta, mete medo, nos causa insegurança e alimenta nossa raiva contra essa situação que se instalou em nosso dia-a-dia. Mas achar que nós mesmos podemos resolver a situação, cometendo atrocidades, fazendo “justiça” não resolve em nada os problemas. Culpar os defensores dos direitos humanos também não.     As leis são para todos, criminosos ou não. Os defensores dos direitos humanos lutam pelo respeito e defesa desses direitos. Não defendem bandidos, mas sim o direito que é de todos a um processo legal, as garantias constitucionais. Lutamos para que haja justiça e punição, mas sem deixar de lado as normas, as garantias aos direitos sociais e individuais, a preservação da dignidade humana. Não queremos voltar ao tempo da vingança privada, ou permitir ao Estado que exerça seu poder ilimitadamente sobre os cidadãos.  Direitos humanos são para as vítimas e são para os bandidos. Se nos sentimos ameaçados e sem liberdade por conta do medo que nos domina, vamos cobrar de quem tem que nos proteger. Vamos cobrar uma atuação mais rigorosa do Estado. A paz só é possível com a observância dos direitos humanos. Como declarou Martin Luther King, Jr., quando defendia os direitos das pessoas de cor nos Estados Unidos durante a década de 60: “Uma injustiça em qualquer lugar é uma ameaça para a justiça em todos os lugares.”
Mariene Hildebrando

e-mail: marihfreitas@hotmail.com

terça-feira, 2 de maio de 2017

Por um futuro de paz

O Dia Internacional Contra a Homofobia é comemorado no dia 17 de maio em todo mundo. Foi quando a homossexualidade foi retirada da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS),
 É um dia que é conhecido como um dia de luta contra a transfobia e a bifobia também. Bifobia é a aversão a quem é bissexual e transfobia é quando pessoas e grupos de identidades de gêneros, como a população  trans (transgêneros, travestis, transexuais) como as lésbicas, o bissexual, o gay , o travesti,o grupo (LGBT) sofre preconceito, aversão, discriminação, constrangimento ou sofre algum tipo de violência por outras pessoas ou grupos de pessoas que se acham “normais”.  Normais?  Mas o que é normal afinal? Ser normal é um conceito relativo, se diz por aí que “de perto ninguém é normal”.
             Ser normal segundo o dicionário é estar dentro das regras, da normalidade, regular, dentro da média. Ora, vamos combinar que hoje em dia cada vez mais esses paradigmas caem por terra. Somos bilhões de pessoas habitando esse planeta, cada qual com suas características, com suas peculiaridades, físicas, genéticas, culturais. A diversidade faz parte da nossa natureza, então como podemos dizer o que é normal? Como podemos em nome da “normalidade” classificar pessoas, enquadrá-las em algum tipo de conceito ou perfil que achamos ser o ideal, como se todo o resto não importasse e merecesse o nosso desprezo e a nossa discriminação. Somos diferentes, cada qual com seus sonhos, quereres, gostos, amores, cada qual com sua vida, suas crenças.  Devemos entender que somos todos iguais em direitos, mas diferentes na nossa essência, diferentes como seres humanos que somos. Quando destoamos do que a maioria considera como normal, nos sentimos fragilizados e nos tornamos um alvo fácil para pessoas preconceituosas, nos tornando vítimas daqueles que se arvoram o direito de julgar e condenar.
            São vários os fatores discriminatórios perpetrados contra os homossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segregação social de pessoas que têm uma sexualidade distinta. Assim, acontecem a cada hora atos de violência, atos de crueldade e humilhação contra a população homossexual, lésbica, gay, transexual. A homofobia cresce a cada dia em nosso país, como se fosse um vírus a se espalhar. A homossexualidade faz parte da nossa sociedade, configurando-se em um tema gerador de polêmicas e preocupante no contexto atual. Preconceito e discriminação andam juntos.
            Existir um dia internacional contra a homofobia é necessário para que nos conscientizemos sobre a discriminação e a desumanidade dos atos violentos que são infligidos a esses indivíduos diariamente. É importante para que nos posicionemos sobre a importância de criminalizar a homofobia. Essa luta deve ser de todos aqueles que querem uma sociedade mais justa
             Nesse dia acontecem vários atos e atividades de promoção de direitos iguais aos homossexuais e todos que fazem parte do mundo LGBT. O combate a homofobia é importante para termos uma sociedade mais igualitária e justa. A compreensão desse tema evita conflitos e potencializa a aceitação de que somos seres humanos em constante aprendizado, e que a diversidade faz parte da condição humana. Respeitar as diferenças, respeitar o ser humano nos levará a um convívio pacífico, a um mundo mais solidário,  onde todos são valorizados. Não podemos tolerar que a intolerância predomine.
A nossa  Constituição Federal consagra no artº 1 inc.III a  dignidade da pessoa humana, tem como objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa, solidária, bem como a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, cor, ou de qualquer outra espécie (art. 3º, I e IV CF), e consagra a igualdade como direito fundamental (art. 5º, caput, da CF).
            Antes de qualquer coisa somos seres humanos. Promover um novo jeito de pensar e agir é compromisso nosso, é um caminho para se viver melhor e em paz. Se queremos um futuro sem violência nem discriminação contra a população homossexual, precisamos ter leis mais efetivas, cobrar a atuação do Estado com mais rigor. Educar as crianças, educar os adultos para que essa situação não se perpetue. É preciso levar esse tema a sério e respeitar os direitos humanos e fundamentais
 O preconceito é condenável e em nada acrescenta ao ser humano. Somos o que somos , nosso caráter não é definido pela nossa identidade de  gênero ou sexo ou cor ou pela minha orientação sexual, ou....qualquer coisa que queiram inventar para justificar aquilo que não pode ser justificado.
Não podemos tolerar que a intolerância predomine!
Mariene Hildebrando
e-mail: marihfreitas@hotmail.com





terça-feira, 18 de abril de 2017

O descaso com os Profissionais da educação

O descaso com os Profissionais da educação 
Sabemos que uma das classes mais desvalorizadas no Brasil, é a dos profissionais da Educação. Valorizar essa classe tão importante e fundamental para o desenvolvimento e o futuro  de qualquer nação, deveria ser a prioridade de qualquer governo que preze a sua independência e o futuro de seus jovens. A valorização dos profissionais da educação passa  por gestão, por aplicação dos recursos  e investimento  na formação desse profissional. A medida  que nos sentimos valorizados, não tememos o futuro, pois conseguimos projetar a nossa existência de maneira digna. Um país só se desenvolve quando investe em Educação. Qualificar e dar ênfase a formação do docente é uma medida de fundamental importância para melhorar a qualidade da educação no Brasil. Bons salários, planos de carreira, investir em cursos de capacitação para professores, é condição fundamental para o avanço nessa área, valorizar o trabalho dos professores, essa deveria ser uma das metas do governo. A Educação de qualidade está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico, precisamos de pessoas qualificadas para preencher as vagas de um mercado de trabalho cada vez mais exigente, e isso não se consegue com um ensino de baixa qualidade. Mais instrução, melhor salário, e consequentemente  isso irá se refletir em uma melhor qualidade de vida. O baixo investimento na educação pública produz um quadro desolador que vem há anos se arrastando na educação brasileira. Está na hora da educação ser tratada com seriedade nesse país, ser prioridade, tirar a educação da situação de precariedade em que ela se encontra. Incentivos aos educadores é fundamental, para que ele tenha vontade de ir adiante, de buscar por mais instrução, por mais qualificação. A escola brasileira está doente. Nós educadores somos o agente principal da ação docente. O investimento em nossa qualificação deveria ser  primordial para qualquer governo.Um ensino de qualidade  passa pelas necessidades coletivas e individuais dos profissionais da educação que tem influência direta na aprendizagem do aluno, pela escola que ajuda a formar cidadãos e deve prepará-los para o exercício da cidadania. Dar o suporte através de cursos, seminários, para que o professor tenha o domínio sobre a teoria, se aproprie do saber e possa se utilizar de uma práxis forte e substancial onde sua capacidade e habilidade se desenvolvam em prol não só dele mesmo, como e principalmente para o desenvolvimento pleno do aluno. As condições em que os professores  vem trabalhando , sem incentivos, salários dignos, planos de carreiras decentes, ou nenhum plano, os faz descrer de um futuro  melhor, de uma vida digna. A Rotina de um professor é estafante. Trabalhar com educação sem as condições apropriadas e ainda se sentir desvalorizado, sem estímulo para continuar, constitui um agravante nessa rotina. Horas falando, se deparando com todo tipo de aluno e de situações difíceis, sobrecarregando a saúde mental e física. Condições de trabalho inadequadas, professores trabalhando 60 horas para  aumentar sua  renda, fazendo o papel de pais, além de educadores. Esse papel, está sendo passado para esses profissionais. Resultado? Doenças, e doenças significam professores a menos em sala de aula. Uma doença em que nós professores somos campeões chama-se Síndrome de Burnout, conhecida também como a síndrome do esgotamento profissional. Segundo o Dr. Drauzio Varella a principal característica da síndrome é:
 “O estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes.O sintoma típico da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima.”
Não é preciso dizer que isso reflete diretamente  no aluno e na qualidade do ensino.
A máxima de que a Educação é a base da sociedade continua valendo. Ajudar a formar cidadãos pensantes, reflexivos, atuantes, requer  mudança na educação como um todo. Essa mudança passa pelos profissionais da educação também. Eis o grande desafio. O aperfeiçoamento profissional deve ocorrer em todas as áreas do conhecimento, em todas as profissões, mas quando se trata do educador a evolução tem que ser constante. Para isso faz-se  necessário estar atualizado, se aperfeiçoando, aprendendo novos métodos, novas técnicas, trazendo a inovação para dentro da instituição. O mundo se transforma rapidamente, e devemos acompanhar essa evolução nos mantendo sempre informados, o que ocorre principalmente através de cursos, de estudos. Sabemos que para ser bom professor é necessário muito mais do que vocação e boa vontade. É necessário investir numa boa formação, capacitação e valorização desses profissionais. Precisamos recuperar a dignidade perdida. Lutar por uma educação de qualidade, inclui valorizar o docente. Estamos longe de atingir essa meta. A Educação é fundamental para o crescimento econômico e o desenvolvimento humano e social. O conhecimento transforma, liberta, nos faz seres pensantes e com opinião, talvez isso não seja prioridade porque não é interessante ter cidadãos atuantes e questionadores...quem sabe...
Mariene Hildebrando
Professora e especialista em Direitos Humanos



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

HOMOSSEXUALIDADE- Preconceito e Discriminação ( na escola)

HOMOSSEXUALIDADE- Preconceito e Discriminação ( na escola)( excerto de meu livro O preconceito contra os homossexuais nas escolas)Por Mariene Hildebrando

A homossexualidade faz parte da nossa sociedade, configurando-se em um tema gerador de polêmicas e preocupante no contexto atual, sendo muito discutido. Cabe aos profissionais da educação tratar essas questões no âmbito escolar, deixando de lado uma postura conservadora,discutindo e achando soluções para que essa convivência seja a melhor e mais natural possível.Preconceito e discriminação andam juntos; a discriminação é a consequência do preconceito, é a repulsa ao diferente, é dizer que existe uma ordem natural da sexualidade e o ser homossexual está excluído dela. São vários os fatores discriminatórios perpetrados contra os homossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segregação social de pessoas que têm uma sexualidade distinta.Partindo do pressuposto de que temos garantida, pela Constituição Federal, a livre orientação sexual como direito humano, e que esse direito encontra respaldo nos documentos internacionais sobre Direitos Humanos (PNEDH),deveríamos esperar que esses preceitos fossem cumpridos com mais empenho, mas a realidade que se apresenta é completamente diferente.Não existe diferença entre relacionamentos homo ou heterossexuais. São as pessoas que, com seus preconceitos e ignorância, acabam passando uma ideia errada a respeito desse assunto. Temos que desmistificar a homossexualidade, e a escola é um ótimo canal para que isso ocorra. Aprende-se, além de conteúdo, a exercitar nossa capacidade de conviver com o diverso. A sexualidade deveria estar na grade curricular das escolas, só assim esse tema  seria abordado de forma mais apropriada. Os profissionais da educação têm que entender que não cabe mais a omissão, não se pode mais ficar alheio e insensível às práticas homofóbicas. Tem-se que fazer o caminho contrário e praticar a inclusão dessas minorias.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A Justiça dos homens


Segundo o Direito Justiça é dar a cada um o que é seu por direito.
            O Dia da Justiça é comemorado no dia 8 de dezembro, em todo o território nacional. Mas o que seria isso? Será que o sentido de justiça é igual para todos? Não existe aí uma grande variação no que entendo por justiça daquilo que você entende?
            Claro que sim. Nada é tão simples nunca. A minha noção de justiça não é isenta das minhas intenções. Cada um tem uma noção do que seja senso de justiça que vai se expressar conforme o discernimento de cada um, o conhecimento e valores éticos e morais sobre justiça. Então temos o conceito genérico de justiça, que tem a concordância de quase todos, e temos o conceito mais particular, com nossas peculiaridades e crenças, menos imparcial.
            Segundo o dicionário Justiça é “a qualidade do que está em conformidade com o que é direito; maneira de perceber, avaliar o que é direito, justo”. O problema é saber qual a coisa certa a fazer. Levando em conta a moral e a nossa consciência, existem certos deveres e princípios que são absolutos. Vou falar aqui da justiça que é feita por pessoas que se acham “justiceiros” da lei, da moralidade e dos bons costumes, achando que podem fazer justiça com as próprias mãos, passando por cima de tudo e de todos em nome da paz e daquilo que qualificam como o certo a fazer.
            O tempo em que a vingança privada  dominava, por conta de falta de leis e de um Estado que realizasse essa função já passou.  A tendência geral é a evolução do homem, do Direito Penal. O “olho por olho , dente por dente” não pode ser a regra. A insatisfação das pessoas e a falta de impunidade que presenciamos diariamente nos faz acreditar que podemos resolver do nosso jeito, baseado na crença de que se o Estado não pune, não faz a sua parte, nós podemos fazer, afinal são tantas as leis e a maior parte não se aplica da maneira como deveria.
            A insatisfação social pela ineficiência do Estado em punir, gera a vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Isso se percebe nos linchamentos e casos de vinganças que ocorrem diariamente nos grandes centros urbanos, inclusive em cidades do interior. É verdade que a criminalidade aumenta cada vez mais e isso nos assusta, mete medo, nos causa insegurança e alimenta nossa raiva contra essa situação que se instalou em nosso dia-a-dia. Mas achar que nós mesmos podemos resolver a situação, cometendo atrocidades, fazendo “justiça” não resolve em nada os problemas. O Direito é para todos. As leis são para todos, criminosos ou não.
            A justiça do povo, não é uma justiça baseada nas leis e nos princípios do Direito. A justiça feita pelas próprias mãos é uma autotutela extremamente temerária e danosa porque surge do sofrimento e da dor causada por um filho que foi morto em um assalto, por um pai ou uma mãe que teve sua filha violentada por estrupadores, pelo salário do mês que foi conquistado com sacrifício, ser levado por um assaltante. Surge da descrença nesse sistema que aí está. O pensamento é : Ele tem que pagar o que fez com dor, vamos espancar, linchar, bater para que a lição seja aprendida. Vingança! Vamos vingar o mal feito. E quando a vingança é baseada em suposições? Dai temos um problema ainda maior. A violência não justifica outro ato de violência, mas como seres humanos e, portanto, falíveis, estamos todos sujeitos a cometer um ato desses durante a nossa existência. Para defender quem amamos somos capazes de muitas coisas que nem imaginamos. Isso quer dizer que agimos como animais? Estamos errados em seguir nossos instintos mais primitivos?
            O que não podemos é achar que isso é normal e certo. Voltar a crer na justiça, no Estado, que ele é capaz de nos proteger e de agir. Não podemos acreditar que não precisamos do Estado para cuidar das nossas relações, da sociedade. A ausência de regras e limites nos leva a uma ruptura do pacto social. A sensação de insegurança e impunidade leva o homem a querer punir  aquele que comete o crime, sem respeitar as leis. Esse comportamento tem que ser extirpado da nossa sociedade, devemos priorizar os direitos fundamentais das pessoas e não alimentar o desejo de vingança.
            Clamamos por justiça diante de tudo àquilo que nos causa dor, que perpetua a desigualdade, que abala a nossa moral. Pode estar envolvido interesse pessoal ou não. Lastimamos a injustiça cometida aos outros. Quando  defendemos nosso  direito, estamos salvaguardando o direito de todas as pessoas, reagir a uma ilegalidade ou a uma dor moral ou física que nos aflige através da injustiça nos mostra que ainda nos sensibilizamos e reagimos contra qualquer tipo de violência. Mas a punição não cabe a nós e sim ao Estado, que é responsável por garantir os direitos sociais, preservar e garantir os direitos humanos, a dignidade da pessoa humana.
            A sensação de insegurança e  de impunidade  nos assusta, a falta de leis mais severas também, mas não deve nos tornar brutos,  Sentimos-nos frágeis e  desprotegidos, por conta disso queremos fazer aquilo que é dever e obrigação do Estado, o que é muito perigoso, pois estamos voltando a uma realidade onde a selvageria  e a brutalidade começa a imperar. É a população agindo contra as agressões. É a vingança privada.
            Vamos ficar atentos as regras de convivência. Respeito e tolerância devem andar juntos. Se deve haver um clamor e uma luta, que seja pela agilidade e severidade do Estado em punir. Somos um Estado Democrático de Direito e devemos acreditar nas leis e no poder de punição e de proteção do Estado, sob pena de sofremos um retrocesso que causará uma ruptura social.
Mariene Hildebrando
Professora e especialista em Direitos Humanos

E-mail: marihfreitas@hotmail.com

quarta-feira, 2 de março de 2016

Divagações... aprendizados/ escolhas

É inegável que a medida que o tempo passa vamos aprendendo mais e mais sobre quem somos, sobre a vida e tudo que a envolve. A compreensão e aceitação de fatos e acontecimentos que nos envolvem e permeiam a nossa existência nos trás paz. Nem tudo conseguimos entender, mas isso já é um aprendizado, percebermos que certas coisas não entenderemos nunca. Em cada fase de nossas vidas importantes aprendizados irão ocorrer. E todos são significativos para o nosso crescimento pessoal.
.           Verdade é que no aprender a viver, está aprender a respeitar o outro. Aprender a se doar, aprender que o outro tem tantos direitos e deveres quanto eu. Aprender que nunca saberei tudo, que estarei sempre “aprendendo” . Perceber que tudo é impermanente, e é aí na impermanência que está o aprendizado. . Quando aceitamos o desapego e a impermanência, nos encaminhamos para conseguir a paz tão almejada. Só assim para haver evolução. O crescimento interno acontece na medida em que aproveitamos nossas experiências. Ciclos, a vida é feita disso. Temos que ser meio camaleônicos e nos adaptar, ou então, mudar tudo de novo e nos rebelar.
             Aprender a sorrir mais, a abraçar mais, a amar, a ser gentil, ter compaixão, se colocar no lugar do outro, sublimar, abstrair, relaxar, contemplar mais. Aprender a conviver com a ausência de alguns, com o término de relacionamentos, de ciclos de vida. Aprender a recomeçar, aprender a começar. Aprender que não teremos respostas para tudo, e que podemos encarar a vida de maneira mais positiva. Desfrutando do que alegra a nossa alma, nos deixa mais feliz e torna nossos dias mais leves e coloridos. Aprender a deixar a arrogância de lado achando que sabemos tudo.
            Aprender a sermos mais humildes, modestos e honestos. Aprender a nos doarmos mais! Quando nos doamos, nos entregamos, e a entrega faz com que a gente consiga aproveitar os momentos de uma forma mais completa. Abusar da sinceridade, ser verdadeiro, leal, autêntico. Aprender a ser “desafetado”, afetuoso, tem pessoas que não conseguem demonstrar o que sentem, tem que aprender. Ser fiel com tudo e com todos. Com nossas crenças e ideais, com nosso companheiro ou companheira, com nossos propósitos de vida.
            Sermos nós mesmos, mas não esquecendo que viver é aprender , e que nada é imutável, que podemos errar e  acertar, e nos decepcionar, mas é só assim que melhoramos como pessoas, e só assim conseguimos nos relacionar com o outro, trocando, nos conectando com o mundo. È fato que tudo isso acontece, é importante, mas o que mais precisamos aprender é sobre o amor. Amar os outros, amar a si mesmo. A vida é movida por ele. Pode ser até que alguns discordem, mas acredito muito nisso. Não encontrei até hoje nenhum sentimento que o supere. E por amor, nós mudamos, nós tentamos, nós sofremos, nós rimos sozinhos, muita coisa boa e muita coisa ruim, é feita em nome dele.
A vida está sempre nos cobrando atitudes, estamos sempre tendo que escolher, sem  mesmo nos darmos conta de que fazemos isso a todo instante. A maior parte das nossas escolhas diárias fazemos sem perceber. Não há grandes consequências quando o fazemos. Mas a vida às vezes nos apresenta aquelas escolhas que são  muito difíceis, e que nos tiram o sono, a fome, dói o estômago, a cabeça, a gente já não raciocina. O que fazer? Viajar ou não viajar; mudar de cidade, de estado ou de país; mudar de emprego, iniciar um novo relacionamento, acabar um antigo? Os momentos de confrontos irão surgir e teremos que escolher, a dificuldade está justamente no impacto que a nossa decisão irá causar na nossa vida e até na vida das pessoas que estão ao nosso redor, que convivem com a gente, familiares, amigos, colegas, e por mais que a gente diga, “ a VIDA É MINHA, EU FAÇO O QUE BEM ENTENDO” nunca é só isso. No momento em que não decidimos algo por medo ou outro motivo qualquer, já estamos fazendo uma escolha, a de não decidir, a de não nos comprometer. Viver é correr riscos, é se aventurar a todo instante, não tem como saber se o caminho que escolhemos é o melhor, o tempo dirá. Certo é que devemos espantar o medo de escolher e de tentar, melhor se arrepender por ter tentado, de outro jeito vamos ficar apenas imaginando como seria.
Acredito que uma forma de escolher é com o coração, dificilmente ele erra, a intuição também ajuda. A primeira impressão, a primeira ideia que tivemos, normalmente é o caminho mais acertado. Deixar o medo de lado e agir. Fazer a nossa história, acertando e errando. Arriscando! Correr riscos dá medo, mas nos ajuda a alcançar nossos sonhos. Muita segurança diminui a nossa liberdade e vice versa. Temos que dosar com ousadia e coragem. Viver é isso, não arriscar é perigoso, não experimentar é tedioso. “Vambora” viver a vida que ela não espera, escolhas , aprendizados...nossa história!

Mariene Hildebrando
Email: marihfreitas@hotmail.com