BLOG- Direitos Humanos. Criado pela professora Mariene, especialista em Direitos Humanos. Esse espaço serve para informar, refletir e discutir assuntos relacionados aos Direitos Humanos.Sintam-se a vontade para comentar e postar no blog.
sábado, 23 de dezembro de 2017
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Feliz Natal!
Quero agradecer a todos que passaram pela
minha página ao longo desse ano. Todos que tiraram um tempinho para ler
minhas postagens, meus artigos e crônicas. Todas as
mensagens que recebi por e-mail. As trocas e o carinho recebido só
me incentivam a continuar escrevendo.
Saber que de alguma maneira posso ajudar ou
fazer a diferença com aquilo que compartilho, me dá uma enorme
satisfação.
Desejo a todos vocês, a esperança de dias melhores, o fortalecimento dos
Direitos Humanos, o aumento de compreensão e da tolerância. Que o
preconceito diminua e que antes de qualquer coisa a gente perceba
que somos “seres humanos”. Não temos cor, minha religião
não me define, minha sexualidade não me diz quem eu sou. O que me
define é o meu caráter, os meus valores e crenças.
Promover um novo jeito de pensar e agir é compromisso nosso, é um
caminho para se viver melhor e em paz.
Feliz Natal !
domingo, 3 de dezembro de 2017
Trabalho escravo até quando?
Imagem retirada da internet
Trabalho escravo até quando?
Parece mentira falar que existe trabalho escravo no mundo e no Brasil. Mas existe. O trabalho escravo foi abolido no Brasil em 1888 pela Lei Áurea. O art. 149 do Código Penal Brasileiro diz que:
Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto:
Dados do Ministério do Trabalho informam que nos últimos 20 anos foram resgatados quase 50 mil trabalhadores que se encontravam em situações semelhantes às de escravidão. As condições semelhantes eram: “Submissão a trabalhos forçados; Jornada exaustiva; condições degradantes de trabalho; restrição da locomoção em razão de dívida, trabalho forçado.”
O Brasil foi um dos primeiros países a admitir que o problema do trabalho escravo existia no país, e assumiu isso perante a OIT (Organização Internacional do Trabalho). Pelas medidas tomadas que acrescentaram outros tipos de exploração ao trabalho escravo, viramos modelo de combate desse crime perante a comunidade internacional. Esse tipo de trabalho aparece em várias atividades econômicas desde as ligadas as atividades rurais e mais recentemente tem aparecido nas grandes cidades, nos ramos de construção civil, têxtil etc... Infelizmente ele está presente na maioria dos estados. O estado com maior percentual desse tipo de trabalho é o Pará. A maioria dos trabalhadores são homens e são aliciados com falsas promessas de bons salários e trabalho digno, vão em busca de uma vida melhor, e só encontram situações indignas, onde os direitos básicos são desrespeitados. Dentre os aliciados estão os estrangeiros que se encontram em situação mais vulnerável ainda, pois a maioria não se encontra em situação regular, essa desvantagem acaba servindo de munição para aqueles que exploram e vilipendiam os direitos humanos. Somam-se a esse quadro desolador o fato de uma boa parte desses trabalhadores serem analfabetos, possuírem pouco estudo, não terem acesso à informação e a educação adequada, o que torna a manipulação por parte do explorador mais fácil de ser realizada.
O trabalhador não consegue se desligar daquele que o está coagindo, se vê envolvido em dívidas intermináveis, sofre pressão psicológica, moral, e não dispõe mais sobre sua vida. A Declaração Universal dos Direitos Humanos diz em seu Artigo 4.º Ninguém pode ser mantido em escravidão ou em servidão; a escravatura e o comércio de escravos, sob qualquer forma, são proibidos.
O trabalho escravo fere a dignidade da pessoa humana, um direito básico e fundamental, pois a falta de dignidade também nos torna escravos, tanto quanto as condições indignas de trabalho, a falta de liberdade para ir e vir. A Declaração de Direitos Humanos diz que: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos.” No momento em que temos nossos direitos violados e desrespeitados, homens escravizando outros homens, perdemos um pouco a fé na humanidade e começamos a duvidar que o Estado possa nos proteger e garantir nossos direitos.
Toda essa discussão veio à tona pelo impacto causado pela nova portaria que tornou as normas referentes ao trabalho escravo, menos rígidas. Um retrocesso em uma luta que está longe de acabar. A portaria viola direitos e princípios básicos da Constituição Federal, e desconsidera compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em relação a esse assunto.
Agora, para ficar caracterizado a condição de escravo, é necessário a privação do direito de ir e vir, as demais condições por si só não bastam sem esse requisito. O trabalhador que estiver trabalhando em condições precárias e desumanas, em jornadas de trabalho extenuantes, recebendo salários indignos, se não tiver sua liberdade de locomoção cerceada, não realiza trabalho escravo. Toda a polêmica causada pela portaria serviu para que a discussão sobre esse assunto tão delicado voltasse a fazer parte das conversas e debates do nosso cotidiano. Algo vai mudar, mas não para pior, estamos atentos para não deixar isso acontecer.
A fiscalização tem que ser intensificada. O Estado tem que investir em políticas públicas que gerem empregos e rendas, tem que investir em educação, pois o conhecimento é fundamental. Investir na prevenção e pelo fim do trabalho escravo. Combater em todas as frentes. A dignidade da pessoa humana é um direito que tem que ser protegido pelo Estado.
Houve um pedido do Ministério Público Federal para que a portaria que modificou o que se entende por trabalho escravo fosse revogada, até o momento em que escrevi esse artigo, a ordem não tinha sido cumprida. Esperamos que esse retrocesso e falta de respeito pelos direitos humanos não se concretize. Esse abrandamento das regras é uma ameaça a trabalhadores humildes e fere preceitos fundamentais da Constituição Federal.
Mariene Hildebrando
E-mail: marihfreitas@hotmail.com
domingo, 27 de agosto de 2017
Lésbicas: A invisibilidade leva a marginalização
29
de agosto, é considerado o dia Nacional
da visibilidade Lésbica. A data foi criada no 1º Seminário Nacional de
Lésbicas em 1996, por lésbicas brasileiras. E qual o motivo de se criar uma
data para elas? O motivo é sempre o mesmo quando falamos de minorias
discriminadas e vítimas de preconceitos, mostrar as pessoas que essa realidade
existe e que por conta disso a mulher lésbica sofre violência de todo tipo,
física, verbal e psicológica em todos os lugares que frequenta. Enfrentam a
lesbofobia, a misoginia, e as mulheres negras lésbicas ainda enfrentam o
preconceito racial junto. As mulheres
lésbicas são invisíveis no sentido de que sua realidade é ignorada. Ser
desprezada por sua orientação sexual, ter seus direitos violados, sofrer
estupro corretivo ( Estuprar com a finalidade de corrigir e punir as lésbicas,
bissexuais, trans, com a intenção de transformá-las em mulheres ), tamanha
violência e ignorância não tem explicação. Acredita-se que o índice de suicídios entre as lésbicas é maior
do que se apresenta, mas há poucos
estudos sobre esses dados. A invisibilidade já se apresenta nessa falta de
dados, sem um estudo mais detalhado dessa realidade não se implementam
políticas e ações públicas para combater a violência e a discriminação, como se
o problema não existisse. A violência contra essas mulheres é ignorada pelo Estado,
vários casos de violência aconteceram recentemente e pouco se falou sobre isso,
não houve divulgação desses assassinatos, não há essa preocupação de fazer o
registro e de saber onde eles estão acontecendo, como estão ocorrendo. O Estado
ignora essa violência.
As
lésbicas e bissexuais sofrem pelo menos um estupro corretivo por mês. Os
bissexuais, os homens transgêneros estão
incluídos nessa violência toda. O que mais impressiona é constatar que a violência
também é provocada por pessoas que convivem com a vítima, pessoas próximas, ex-
parceiros. O preconceito ocorre em todos os espaços. Muitas não sabem que podem
contar com a Lei Maria da Penha que também é para casais homossexuais. Outra
consequência da invisibilidade é a desinformação e a falta
de preparo dos profissionais da saúde para lidar com essa população. Não
existem políticas sexuais para essas mulheres, como se a saúde sexual delas não
fosse importante, como se não estivessem sujeitas a doenças e contaminação como
qualquer pessoa.Os direitos fundamentais do homem proclamados na Constituição Federal e na
Declaração dos Direitos Humanos continuam sendo violados, o desrespeito
praticado pela sociedade em geral, o despreparo dos profissionais da educação,
a discriminação religiosa, as agressões de toda ordem, o ódio, a exclusão
provocada pela ignorância, são fatores discriminatórios perpetrados contra os
homossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segregação social de
pessoas que têm uma sexualidade distinta. Assim acontecem a cada hora atos de
violência, atos de crueldade e humilhação contra a população homossexual,
lésbicas, gays, transexual.
Existir um dia da visibilidade lésbica é necessário para que nos conscientizemos
sobre a desumanidade dos atos violentos
que são infligidos a essas mulheres diariamente, para que a gente perceba a
crueldade, a humilhação, o descaso com essa população. Quando
chegará o dia em que a orientação sexual não fará diferença? A orientação sexual não
diz quem a pessoa é, não faz o
seu caráter, os valores de uma pessoa não são pautados pelo sexo, e sim por
aquilo que acreditam e respeitam. Ser mulher já é motivo para sofrer
discriminação, imagine mulher e lésbica! Desrespeitar e desvalorizar alguém,
humilhando e discriminando em função de sua orientação sexual, é tratar com
desigualdade e ferir a dignidade do ser humano. Não podemos aceitar que
discriminações/preconceitos validem e limitem direitos que são essenciais e fundamentais para a sociedade. O
direito independente de estar na Lei Maior, deve antes ser importante para o
indivíduo e para a sociedade, deve ser fundamental para o ser humano. A declaração Universal dos Direitos Humanos
proclama em seu “Artigo 1° “
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em
direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os
outros em espírito de fraternidade.” Infelizmente o
Brasil está entre os países em que há o maior número de assassinatos por
orientação sexual. Pelo menos um a cada 28 horas, e mais
de 90% deles motivados pela homofobia., que é
a aversão e o preconceito aos homossexuais. É preciso respeitar essa
minoria, dar espaço para elas falarem, parar com o massacre duplo que sofrem
(mulher e lésbica), parar de achar que a heterossexualidade é obrigatória,
mostrar aos homens que elas não são ameaças ao seu patriarcado, e que
ser lésbica não é modinha. Perseguir e marginalizar as lésbicas com a intenção
de calá-las não vai fazer com que o problema desapareça. Lésbicas contribuem
para a sociedade tanto quanto qualquer outra pessoa. A ONU reconhece o dia da visibilidade lésbica., criou a campanha “Livres
e Iguais” que destaca a importância do
apoio familiar para as pessoas LGBT, conscientiza sobre o preconceito e luta
por uma sociedade mais justa. É preciso que os casais LGBT tenham uma
legislação que lhes garanta os seus direitos, vamos legitimar o que já é
jurisprudência.
A dignidade da pessoa humana só está
garantida quando direitos fundamentais como liberdade e igualdade estão
protegidos, garantidos, e, principalmente respeitados, pelo Estado que deve
zelar e cuidar de seus cidadãos, e pela sociedade que deve ter um olhar de
igualdade e sem preconceito com o ser humano independente de sua orientação
sexual
Mariene Hildebrando
quinta-feira, 6 de julho de 2017
A Desigualdade de Gênero: Homem x Mulher
A desigualdade
de gênero não é um “privilégio” do Brasil. Infelizmente ela existe desde a
antiguidade e persiste até nossos dias. Mas afinal o que é gênero? Gênero pode
ter vários significados, aqui nos interessa o significado de gênero em relação
ao homem e a mulher. Alguns conceitos:
“Conceito
que engloba todas as características básicas que possuem um determinado grupo
ou classe de seres ou coisas.”
“Conjunto
de seres ou objetos que possuem a mesma origem ou que se acham ligados pela
similitude de uma ou mais particularidades.”
Nossa
constituição estabelece em seu artigo 5º, inc. 1º:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos
termos desta Constituição ;
Temos garantida a
igualdade de todos constitucionalmente,
no entanto, esse amparo legal sofre diversas violações no dia-a-dia, o desrespeito
a esses direitos acontece a todo o momento, expondo a fragilidade de nossas
normas jurídicas perante séculos de discriminação contra a mulher. A mulher
precisa trabalhar dobrado para conseguir um salário igual ao do homem. Tem
dupla ou tripla jornada de trabalho, visto que trabalha em casa também. A
mulher sempre foi vista como um ser inferior e que devia submissão ao homem, e,
embora esse quadro venha mudando ao longo dos anos, através de lutas e
movimentos feministas, a participação feminina na política, na educação, no
mercado de trabalho continua desigual.
A desigualdade de gênero fere princípios e direitos básicos do ser
humano, no caso a mulher em especial. Fere o princípio da dignidade humana É
sobre a liberdade e a igualdade que está fundamentada a dignidade da pessoa
humana. Desrespeitar e desvalorizar alguém, tratar de maneira diferenciada,
humilhando e discriminando em função de gênero, é tratar com desigualdade e
ferir a dignidade do ser humano. Não é aceitável que
discriminações/preconceitos sejam eles de que tipo forem, invalidem e limitem
direitos que são essenciais e
fundamentais para a democracia, agindo assim com certeza estaremos fortalecendo
a desigualdade social que já existe. Há quem defenda a tese de que homens e
mulheres por serem biologicamente diferentes teriam justificadas as
desigualdades existentes. É inadmissível usar as desigualdades biológicas para
justificar seja lá o que for que exclua a mulher, que discrimine, que use de violência, que produza qualquer tipo
de injustiça.
A expressão gênero foi utilizada pela primeira
vez no Brasil na Convenção de Belém do Pará em agosto de 1996. Está incorporada nas legislações de
vários países bem como nas normas internacionais. No Estatuto do Tribunal Penal
Internacional (Roma 1998) está incorporado o conceito de gênero: o art. 7º,
item 3, “entende-se que o termo “gênero” abrange os sexos masculino e feminino,
dentro do contexto da sociedade, não lhe devendo ser atribuído qualquer outro
significado”.
A
ONU divulgou o relatório O Progresso das mulheres no mundo, (2015-2016),que mostra
que as mulheres recebem um salário quase 30% inferior ao do homem na mesma
função. Segundo a ONU, “as mulheres são responsáveis por uma carga excessiva de
trabalho doméstico não remunerado referente aos cuidados com filhos, com
pessoas idosas e doentes e com a administração do lar.” ( Agência Brasil/Direitos
Humanos).
A
ONU Mulheres foi criada em 2010 para tratar da igualdade de gênero e
empoderamento das mulheres, investindo na capacidade econômica das mulheres como
forma de garantir a diminuição da desigualdade existente. Segundo a ONU o
Brasil tem trabalhado para que essas
diferenças diminuam, e se destacou pela criação de mais trabalho para a mulher e por políticas de
inclusão na vida econômica do país. Ações públicas que se propõe a diminuir as
desigualdades são de extrema importância e permitem que avancemos na luta por trabalhos decentes e redução da
desigualdade salarial entre homens e mulheres, maior participação política da mulher, e tantas outras medidas que podem
ser tomadas e que valorizem o papel da mulher no desenvolvimento do país.
Não
é fácil mudar uma história de anos de preconceito e discriminação de uma sociedade
patriarcal. As desigualdades não são apenas a nível cultural, mas econômicas, políticas,
e decisórias. Apesar das mulheres superarem os homens em nível de escolaridade,
de representarmos mais da metade da população e do eleitorado, e sermos quase
50% da população economicamente ativa do país, o abismo entre homens e mulheres
ainda é grande. Precisamos ocupar os
espaços que ainda não ocupamos em função da desigualdade acentuada, políticas
de enfrentamento são bem-vindas. O que queremos é uma sociedade mais justa e
igualitária que garanta a todos, igualdade e oportunidade, independente do
gênero, da cor, da raça.
Mariene Hildebrando
Especialista em Direitos Humanos
Email: marihfreitas@hotmail.com
Direitos humanos ou Direitos dos bandidos?
Eis
uma pergunta que sempre é feita para quem defende os Direitos Humanos. Direitos
humanos só servem para proteger bandidos?. Não. Direitos humanos são direitos
fundamentais que possuímos e são para todos. A defesa dos direitos humanos não é
algo individual apenas, garante direitos
a todas as pessoas. Não existem garantias que um cidadão inocente não possa
sofrer algum tipo de perseguição ou constrangimento ilegal, e vir a ser tratado
como bandido, e até o engano ser desfeito ele vai querer alguém lhe defendendo
e garantindo seus direitos. Esses direitos não são, portanto,
prerrogativas de bandidos apenas, e sim da sociedade em geral.
Perguntas
que demonstram o quanto as pessoas estão preocupadas com o seu umbigo apenas.
Minha resposta é simples. Todos têm direito ao Direito, e os Direitos Humanos
são para HUMANOS! Simples assim. Mas parece difícil convencer aquele que se
acha melhor que o outro porque não cometeu “nenhum crime”, as justificativas
são muitas. As críticas são imensas, e a ala mais conservadora da sociedade
acha que os direitos humanos servem para privilegiar bandidos, legitimando a
conduta transgressora, através de uma punição segundo eles inexistente, pois não
pune. Nesse sentido o entendimento é que somente uma postura violenta e dura
daria resultado e faria a criminalidade diminuir, algo como : Bandido não tem
direitos, e qualquer punição que sofra ainda é pouco.
Direitos humanos ou Direitos
naturais, individuais, servem para designar a mesma coisa, os direitos
fundamentais do homem. Correspondem às necessidades básicas do ser humano,
aquelas que são iguais para todas as pessoas e devem ser atendidas para que se
possa levar uma vida digna. São
princípios que servem para garantir nossa liberdade, nossa dignidade, o
respeito ao ser humano para termos uma sociedade com igualdade para todos.
Se
são universais subentende-se que são para todos, independente de credo, raça,
cor, sexo, posição política, social, econômica etc. inclusive para bandidos.
Portanto dizer que os Direitos Humanos se preocupam apenas com bandidos é uma
falácia. Não podemos ser tão ingênuos a ponto de querer isolar o criminoso
pensando nele como apenas um indivíduo mau caráter, de má índole. Essa visão
simplista não se sustenta. O sujeito é fruto de vários fatores sociais. Como as pessoas
viram marginais? Por acaso as pessoas
nascem bandidos? Prevalece
em nossa sociedade injustiças e desigualdades profundas que são a base para a
criminalidade. Não
somos a favor do crime, e todos que são vítimas têm o direito de ficarem
furiosos com isso, mas não respeitar os direitos humanos não vai ajudar a mudar
esse quadro que aí está, pelo contrário, só vai fomentar o ódio e aumentar a
criminalidade.
É certo que nada justifica o crime ou qualquer
outro tipo de violência. Tudo que fere a dignidade humana deve ser combatido,
mas dizer que os Direitos Humanos são apenas para bandidos é não querer encarar
a realidade que vivemos que é a da desigualdade social.
É natural que os defensores dos
direitos humanos dediquem mais atenção àqueles que são mais frágeis e que
ocupam uma posição menos privilegiada dentro de uma sociedade. A impunidade tem
sido uma das bandeiras dos militantes dos direitos humanos, dizer
que bandido bom é bandido morto é menosprezar a vida humana, é dizer
que uns são melhores que outros, e se arvorar juiz da vida, determinando quem
deve morrer e quem é digno de continuar vivendo.
Quando falamos em Direitos Humanos, muitas
ideias passam por nossa cabeça, muitos assuntos e discussões, vemos os direitos
humanos serem violados a todo o momento em todos os lugares, e, em todos os
tipos de sociedade. Portanto discutir o direito dos criminosos é discutir o
direito de seres humanos. Bandido, criminoso, tem que ser punido sim! Mas essa punição não cabe a nós cidadãos
comuns, e sim ao Estado que tem como função promover o bem comum, zelar pela
segurança e bem estar do cidadão.
A insatisfação social ocasionada
pela ineficiência do Estado em punir, gera a vontade de fazer justiça com as
próprias mãos. Isso se percebe nos linchamentos e casos de vinganças que
ocorrem diariamente. É verdade que a criminalidade aumenta cada vez mais e isso
nos assusta, mete medo, nos causa insegurança e alimenta nossa raiva contra
essa situação que se instalou em nosso dia-a-dia. Mas achar que nós mesmos
podemos resolver a situação, cometendo atrocidades, fazendo “justiça” não
resolve em nada os problemas. Culpar os defensores dos direitos humanos também
não. As leis são para todos,
criminosos ou não. Os defensores dos direitos humanos lutam pelo respeito e
defesa desses direitos. Não defendem bandidos, mas sim o direito que é de todos
a um processo legal, as garantias constitucionais. Lutamos para que haja
justiça e punição, mas sem deixar de lado as normas, as garantias aos direitos
sociais e individuais, a preservação da dignidade humana. Não queremos voltar
ao tempo da vingança privada, ou permitir ao Estado que exerça seu poder ilimitadamente
sobre os cidadãos. Direitos humanos são
para as vítimas e são para os bandidos. Se nos sentimos ameaçados e sem
liberdade por conta do medo que nos domina, vamos cobrar de quem tem que nos
proteger. Vamos cobrar uma atuação mais rigorosa do Estado. A paz só é possível
com a observância dos direitos humanos. Como declarou Martin Luther King, Jr.,
quando defendia os direitos das pessoas de cor nos Estados Unidos durante a
década de 60: “Uma injustiça em
qualquer lugar é uma ameaça para a justiça em todos os lugares.”
Mariene
Hildebrando
e-mail:
marihfreitas@hotmail.com
terça-feira, 2 de maio de 2017
Por um futuro de paz
O Dia Internacional Contra a Homofobia é comemorado no dia 17
de maio em todo mundo. Foi quando a homossexualidade foi retirada da
Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com
a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS),
É um dia que é conhecido como um
dia de luta contra a transfobia e a bifobia também. Bifobia é a aversão a quem
é bissexual e transfobia é quando pessoas e grupos de identidades de gêneros,
como a população trans (transgêneros,
travestis, transexuais) como as lésbicas, o bissexual, o gay , o travesti,o
grupo (LGBT) sofre preconceito, aversão, discriminação, constrangimento ou
sofre algum tipo de violência por outras pessoas ou grupos de pessoas que se
acham “normais”. Normais? Mas o que é normal afinal? Ser normal é um
conceito relativo, se diz por aí que “de perto ninguém é normal”.
Ser normal segundo o dicionário é estar dentro
das regras, da normalidade, regular, dentro da média. Ora, vamos combinar que
hoje em dia cada vez mais esses paradigmas caem por terra. Somos bilhões de
pessoas habitando esse planeta, cada qual com suas características, com suas
peculiaridades, físicas, genéticas, culturais. A diversidade faz parte da nossa
natureza, então como podemos dizer o que é normal? Como podemos em nome da
“normalidade” classificar pessoas, enquadrá-las em algum tipo de conceito ou
perfil que achamos ser o ideal, como se todo o resto não importasse e merecesse
o nosso desprezo e a nossa discriminação. Somos diferentes, cada qual com seus
sonhos, quereres, gostos, amores, cada qual com sua vida, suas crenças. Devemos entender que somos todos iguais em
direitos, mas diferentes na nossa essência, diferentes como seres humanos que
somos. Quando destoamos do que a maioria considera como normal, nos sentimos
fragilizados e nos tornamos um alvo fácil para pessoas preconceituosas, nos
tornando vítimas daqueles que se arvoram o direito de julgar e condenar.
São vários os fatores
discriminatórios perpetrados contra os homossexuais, o que acaba causando a
marginalização e a segregação social de pessoas que têm uma sexualidade
distinta. Assim, acontecem a cada hora atos de violência, atos de crueldade e
humilhação contra a população homossexual, lésbica, gay, transexual. A
homofobia cresce a cada dia em nosso país, como se fosse um vírus a se
espalhar. A homossexualidade faz parte da nossa sociedade, configurando-se em
um tema gerador de polêmicas e preocupante no contexto atual. Preconceito e
discriminação andam juntos.
Existir um dia
internacional contra a homofobia é necessário para que nos conscientizemos
sobre a discriminação e a desumanidade dos atos violentos que são infligidos a
esses indivíduos diariamente. É importante para que nos posicionemos sobre a
importância de criminalizar a homofobia. Essa luta deve ser de todos aqueles
que querem uma sociedade mais justa
Nesse dia acontecem vários atos e atividades
de promoção de direitos iguais aos homossexuais e todos que fazem parte do
mundo LGBT. O combate a homofobia é importante para termos uma sociedade mais igualitária
e justa. A compreensão desse tema evita conflitos e potencializa a aceitação de
que somos seres humanos em constante aprendizado, e que a diversidade faz parte
da condição humana. Respeitar as diferenças, respeitar o ser humano nos levará
a um convívio pacífico, a um mundo mais solidário, onde todos são valorizados. Não podemos
tolerar que a intolerância predomine.
A nossa Constituição
Federal consagra no artº 1 inc.III a
dignidade da pessoa humana, tem como objetivos fundamentais a construção
de uma sociedade livre, justa, solidária, bem como a promoção do bem de todos,
sem preconceitos de origem, raça, cor, ou de qualquer outra espécie (art. 3º, I
e IV CF), e consagra a igualdade como direito fundamental (art. 5º, caput, da CF).
Antes
de qualquer coisa somos seres humanos. Promover um novo jeito de pensar e agir
é compromisso nosso, é um caminho para se viver melhor e em paz. Se queremos um
futuro sem violência nem discriminação contra a população homossexual,
precisamos ter leis mais efetivas, cobrar a atuação do Estado com mais rigor.
Educar as crianças, educar os adultos para que essa situação não se perpetue. É
preciso levar esse tema a sério e respeitar os direitos humanos e fundamentais
O preconceito é condenável e em nada
acrescenta ao ser humano. Somos o que somos , nosso caráter não é definido pela
nossa identidade de gênero ou sexo ou
cor ou pela minha orientação sexual, ou....qualquer coisa que queiram inventar
para justificar aquilo que não pode ser justificado.
Não podemos tolerar que a
intolerância predomine!
Mariene Hildebrando
e-mail:
marihfreitas@hotmail.com
terça-feira, 18 de abril de 2017
O descaso com os Profissionais da educação
O descaso com os Profissionais da educação
Sabemos que uma das classes mais desvalorizadas no Brasil, é a dos profissionais da Educação. Valorizar essa classe tão importante e fundamental para o desenvolvimento e o futuro de qualquer nação, deveria ser a prioridade de qualquer governo que preze a sua independência e o futuro de seus jovens. A valorização dos profissionais da educação passa por gestão, por aplicação dos recursos e investimento na formação desse profissional. A medida que nos sentimos valorizados, não tememos o futuro, pois conseguimos projetar a nossa existência de maneira digna. Um país só se desenvolve quando investe em Educação. Qualificar e dar ênfase a formação do docente é uma medida de fundamental importância para melhorar a qualidade da educação no Brasil. Bons salários, planos de carreira, investir em cursos de capacitação para professores, é condição fundamental para o avanço nessa área, valorizar o trabalho dos professores, essa deveria ser uma das metas do governo. A Educação de qualidade está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico, precisamos de pessoas qualificadas para preencher as vagas de um mercado de trabalho cada vez mais exigente, e isso não se consegue com um ensino de baixa qualidade. Mais instrução, melhor salário, e consequentemente isso irá se refletir em uma melhor qualidade de vida. O baixo investimento na educação pública produz um quadro desolador que vem há anos se arrastando na educação brasileira. Está na hora da educação ser tratada com seriedade nesse país, ser prioridade, tirar a educação da situação de precariedade em que ela se encontra. Incentivos aos educadores é fundamental, para que ele tenha vontade de ir adiante, de buscar por mais instrução, por mais qualificação. A escola brasileira está doente. Nós educadores somos o agente principal da ação docente. O investimento em nossa qualificação deveria ser primordial para qualquer governo.Um ensino de qualidade passa pelas necessidades coletivas e individuais dos profissionais da educação que tem influência direta na aprendizagem do aluno, pela escola que ajuda a formar cidadãos e deve prepará-los para o exercício da cidadania. Dar o suporte através de cursos, seminários, para que o professor tenha o domínio sobre a teoria, se aproprie do saber e possa se utilizar de uma práxis forte e substancial onde sua capacidade e habilidade se desenvolvam em prol não só dele mesmo, como e principalmente para o desenvolvimento pleno do aluno. As condições em que os professores vem trabalhando , sem incentivos, salários dignos, planos de carreiras decentes, ou nenhum plano, os faz descrer de um futuro melhor, de uma vida digna. A Rotina de um professor é estafante. Trabalhar com educação sem as condições apropriadas e ainda se sentir desvalorizado, sem estímulo para continuar, constitui um agravante nessa rotina. Horas falando, se deparando com todo tipo de aluno e de situações difíceis, sobrecarregando a saúde mental e física. Condições de trabalho inadequadas, professores trabalhando 60 horas para aumentar sua renda, fazendo o papel de pais, além de educadores. Esse papel, está sendo passado para esses profissionais. Resultado? Doenças, e doenças significam professores a menos em sala de aula. Uma doença em que nós professores somos campeões chama-se Síndrome de Burnout, conhecida também como a síndrome do esgotamento profissional. Segundo o Dr. Drauzio Varella a principal característica da síndrome é:
“O estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes.O sintoma típico da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima.”
Não é preciso dizer que isso reflete diretamente no aluno e na qualidade do ensino.
A máxima de que a Educação é a base da sociedade continua valendo. Ajudar a formar cidadãos pensantes, reflexivos, atuantes, requer mudança na educação como um todo. Essa mudança passa pelos profissionais da educação também. Eis o grande desafio. O aperfeiçoamento profissional deve ocorrer em todas as áreas do conhecimento, em todas as profissões, mas quando se trata do educador a evolução tem que ser constante. Para isso faz-se necessário estar atualizado, se aperfeiçoando, aprendendo novos métodos, novas técnicas, trazendo a inovação para dentro da instituição. O mundo se transforma rapidamente, e devemos acompanhar essa evolução nos mantendo sempre informados, o que ocorre principalmente através de cursos, de estudos. Sabemos que para ser bom professor é necessário muito mais do que vocação e boa vontade. É necessário investir numa boa formação, capacitação e valorização desses profissionais. Precisamos recuperar a dignidade perdida. Lutar por uma educação de qualidade, inclui valorizar o docente. Estamos longe de atingir essa meta. A Educação é fundamental para o crescimento econômico e o desenvolvimento humano e social. O conhecimento transforma, liberta, nos faz seres pensantes e com opinião, talvez isso não seja prioridade porque não é interessante ter cidadãos atuantes e questionadores...quem sabe...
Mariene Hildebrando
Professora e especialista em Direitos Humanos
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
HOMOSSEXUALIDADE- Preconceito e Discriminação ( na escola)
HOMOSSEXUALIDADE- Preconceito e Discriminação ( na escola)( excerto de meu livro O preconceito contra os homossexuais nas escolas)Por Mariene Hildebrando
A homossexualidade faz parte da nossa sociedade, configurando-se em um tema gerador de polêmicas e preocupante no contexto atual, sendo muito discutido. Cabe aos profissionais da educação tratar essas questões no âmbito escolar, deixando de lado uma postura conservadora,discutindo e achando soluções para que essa convivência seja a melhor e mais natural possível.Preconceito e discriminação andam juntos; a discriminação é a consequência do preconceito, é a repulsa ao diferente, é dizer que existe uma ordem natural da sexualidade e o ser homossexual está excluído dela. São vários os fatores discriminatórios perpetrados contra os homossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segregação social de pessoas que têm uma sexualidade distinta.Partindo do pressuposto de que temos garantida, pela Constituição Federal, a livre orientação sexual como direito humano, e que esse direito encontra respaldo nos documentos internacionais sobre Direitos Humanos (PNEDH),deveríamos esperar que esses preceitos fossem cumpridos com mais empenho, mas a realidade que se apresenta é completamente diferente.Não existe diferença entre relacionamentos homo ou heterossexuais. São as pessoas que, com seus preconceitos e ignorância, acabam passando uma ideia errada a respeito desse assunto. Temos que desmistificar a homossexualidade, e a escola é um ótimo canal para que isso ocorra. Aprende-se, além de conteúdo, a exercitar nossa capacidade de conviver com o diverso. A sexualidade deveria estar na grade curricular das escolas, só assim esse tema seria abordado de forma mais apropriada. Os profissionais da educação têm que entender que não cabe mais a omissão, não se pode mais ficar alheio e insensível às práticas homofóbicas. Tem-se que fazer o caminho contrário e praticar a inclusão dessas minorias.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
A Justiça dos homens
Segundo o Direito Justiça é
dar a cada um o que é seu por direito.
O Dia da Justiça é comemorado no dia 8 de dezembro, em
todo o território nacional. Mas o que seria isso? Será que o sentido de justiça
é igual para todos? Não existe aí uma grande variação no que entendo por
justiça daquilo que você entende?
Claro que sim. Nada é tão simples nunca. A minha noção de
justiça não é isenta das minhas intenções. Cada um tem uma noção do que seja
senso de justiça que vai se expressar conforme o discernimento de cada um, o conhecimento
e valores éticos e morais sobre justiça. Então temos o conceito genérico de
justiça, que tem a concordância de quase todos, e temos o conceito mais
particular, com nossas peculiaridades e crenças, menos imparcial.
Segundo o dicionário Justiça é “a qualidade
do que está em conformidade com o que é direito; maneira de perceber, avaliar o
que é direito, justo”. O problema é saber qual a coisa certa a fazer. Levando
em conta a moral e a nossa consciência, existem certos deveres e princípios que
são absolutos. Vou falar aqui da justiça que é feita por pessoas que se acham “justiceiros”
da lei, da moralidade e dos bons costumes, achando que podem fazer justiça com
as próprias mãos, passando por cima de tudo e de todos em nome da paz e daquilo
que qualificam como o certo a fazer.
O tempo em que a vingança privada dominava, por conta de falta de leis e de um
Estado que realizasse essa função já passou.
A tendência geral é a evolução do homem, do Direito Penal. O “olho por
olho , dente por dente” não pode ser a regra. A insatisfação das pessoas e a
falta de impunidade que presenciamos diariamente nos faz acreditar que podemos
resolver do nosso jeito, baseado na crença de que se o Estado não pune, não faz
a sua parte, nós podemos fazer, afinal são tantas as leis e a maior parte não
se aplica da maneira como deveria.
A insatisfação social pela
ineficiência do Estado em punir, gera a vontade de fazer justiça com as
próprias mãos. Isso se percebe nos linchamentos e casos de vinganças que
ocorrem diariamente nos grandes centros urbanos, inclusive em cidades do
interior. É verdade que a criminalidade aumenta cada vez mais e isso nos
assusta, mete medo, nos causa insegurança e alimenta nossa raiva contra essa
situação que se instalou em nosso dia-a-dia. Mas achar que nós mesmos podemos
resolver a situação, cometendo atrocidades, fazendo “justiça” não resolve em
nada os problemas. O Direito é para todos. As leis são para todos, criminosos
ou não.
A justiça do povo, não é uma justiça
baseada nas leis e nos princípios do Direito. A justiça feita pelas próprias
mãos é uma autotutela extremamente temerária e danosa porque surge do
sofrimento e da dor causada por um filho que foi morto em um assalto, por um
pai ou uma mãe que teve sua filha violentada por estrupadores, pelo salário do
mês que foi conquistado com sacrifício, ser levado por um assaltante. Surge da
descrença nesse sistema que aí está. O pensamento é : Ele tem que pagar o que
fez com dor, vamos espancar, linchar, bater para que a lição seja aprendida. Vingança!
Vamos vingar o mal feito. E quando a vingança é baseada em suposições? Dai
temos um problema ainda maior. A violência não justifica outro ato de violência,
mas como seres humanos e, portanto, falíveis, estamos todos sujeitos a cometer
um ato desses durante a nossa existência. Para defender quem amamos somos
capazes de muitas coisas que nem imaginamos. Isso quer dizer que agimos como
animais? Estamos errados em seguir nossos instintos mais primitivos?
O que não podemos é achar que isso é
normal e certo. Voltar a crer na justiça, no Estado, que ele é capaz de nos
proteger e de agir. Não podemos acreditar que não precisamos do Estado para
cuidar das nossas relações, da sociedade. A ausência de regras e limites nos
leva a uma ruptura do pacto social. A sensação de insegurança e impunidade leva
o homem a querer punir aquele que comete
o crime, sem respeitar as leis. Esse comportamento tem que ser extirpado da
nossa sociedade, devemos priorizar os direitos fundamentais das pessoas e não
alimentar o desejo de vingança.
Clamamos por justiça diante de tudo
àquilo que nos causa dor, que perpetua a desigualdade, que abala a nossa moral.
Pode estar envolvido interesse pessoal ou não. Lastimamos a injustiça cometida
aos outros. Quando defendemos nosso direito, estamos salvaguardando o direito de
todas as pessoas, reagir a uma ilegalidade ou a uma dor moral ou física que nos
aflige através da injustiça nos mostra que ainda nos sensibilizamos e reagimos
contra qualquer tipo de violência. Mas a punição não cabe a nós e sim ao
Estado, que é responsável por garantir os direitos sociais, preservar e
garantir os direitos humanos, a dignidade da pessoa humana.
A sensação de insegurança e de impunidade
nos assusta, a falta de leis mais severas também, mas não deve nos
tornar brutos, Sentimos-nos frágeis
e desprotegidos, por conta disso
queremos fazer aquilo que é dever e obrigação do Estado, o que é muito perigoso,
pois estamos voltando a uma realidade onde a selvageria e a brutalidade começa a imperar. É a
população agindo contra as agressões. É a vingança privada.
Vamos ficar atentos as regras de
convivência. Respeito e tolerância devem andar juntos. Se deve haver um clamor
e uma luta, que seja pela agilidade e severidade do Estado em punir. Somos um
Estado Democrático de Direito e devemos acreditar nas leis e no poder de
punição e de proteção do Estado, sob pena de sofremos um retrocesso que causará
uma ruptura social.
Mariene Hildebrando
Professora e especialista em Direitos
Humanos
E-mail: marihfreitas@hotmail.com
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Exercendo a cidadania
Exercendo a cidadania
Está na hora de agir novamente. Hora de fazer a diferença através das nossas escolhas, e isso se dá exercendo a cidadania através do direito que conquistamos que é o de votar. Nessas eleições que ocorrem agora, estaremos elegendo prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, que integrarão as Câmaras Legislativas Municipais. As eleições ocorrem de 4 em 4 anos, o primeiro turno em 02 de outubro, se houver necessidade haverá um segundo turno que ocorrerá no dia 30 de outubro. Esse segundo turno acontece somente em municípios com mais de 200 mil eleitores.
Acredito que a participação ativa é necessária, somos nós ajudando a fazer uma sociedade mais justa e igualitária, inseridos na nossa história, sem ficar passando a responsabilidade para os outros. Será que dá para dizer que as pessoas estão mais conscientes de que são elas que têm o poder de escolher o rumo que queremos para o nosso país? De que são elas que possuem voz? Que só exercendo a cidadania de maneira plena poderemos fazer a diferença? Ser cidadão é exercermos nossos direitos, cuidar para que os mais desprotegidos e vulneráveis tenham seus direitos garantidos e respeitados, é cumprir com nosso dever.
Votar vai muito além de depositarmos nosso voto na urna simplesmente. Começa antes, com a escolha do candidato. Com o voto consciente. É o momento de exercer nossa cidadania, escolhendo aquele que tem propostas e projetos que realmente tragam melhorias a população. Que coincidam com aquilo que esperamos que seja feito no sentido de melhorar e organizar a sociedade. Votando exercemos um direito humano fundamental, o da liberdade de escolher com consciência, de exercer o poder que é dado através do voto. E para fazer isso é necessário conhecer os candidatos, suas propostas, seus argumentos, se coincidem com o que penso e espero, se respeitam a cidadania, os cidadãos, e se possuem propostas de políticas públicas que realmente são necessárias e atendem as nossas necessidades.
Somos uma República Federativa onde vigora o Estado Democrático de Direito. Votar faz toda a diferença, mas votar com consciência de que o nosso voto pode fazer acontecer às mudanças que queremos ver. Mudanças políticas e sociais que só irão ocorrer através desse exercício de cidadania. É termos a garantia que nossos direitos de cidadãos serão respeitados.
A cidadania se dá a todo o momento. Na nossa vida diária, começa dentro de casa na família, e se estende a todos os grupos dos quais fazemos parte. Isso é democracia. O art 1º da CF em seu parágrafo único diz:
“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
A participação política é um dos mais importantes pressupostos da Democracia. A definição de cidadania é: “O exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na Constituição de um país.
Exercendo o nosso direito de votar, estamos influenciando diretamente o destino da nação. Estamos lutando pelos nossos direitos mais fundamentais, pelas nossas liberdades, estamos lutando contra a opressão e as injustiças. Estamos lutando a favor de mais desenvolvimento social e econômico, lutando contra aqueles que se elegem pensando apenas nos seus interesses particulares, estamos lutando contra a pobreza e contra a desigualdade.
Enfim, exercer a cidadania é estar sempre em movimento, buscando descobrir novas formas de garantirmos e exercermos nossos direitos. A cada desafio surgem novas possibilidades de sermos cidadãos conscientes de nossos deveres e principalmente de nossos direitos. Devemos trabalhar e lutar pelo nosso bem e pelo bem comum, afinal não estamos sozinhos, cada um deve fazer a sua parte, agindo com responsabilidade. Vivemos em sociedade e a contribuição de cada um é importante. É preciso ter essa consciência, de agirmos para garantir o bem estar social. Atrevo-me a dizer que a cidadania requer prática, quanto mais utilizarmos nossos direitos de cidadãos, mais veremos as mudanças que queremos para nosso país acontecendo, tanto na esfera das políticas públicas, na melhoria da qualidade de vida de nossa gente, como no crescimento e desenvolvimento da nação.
Mariene Hildebrando
Email: marihfreitas@hotmail.com
sábado, 30 de julho de 2016
A identidade sexual de cada pessoa é um direito fundamental que deve ser respeitado por todos,não somos uma sociedade democrática e que se diz livre de preconceitos? Imoral é criança passando fome, imoral é uma mãe assistir o seu filho chorar de dor e não ter acesso a um sistema de saúde digno, imoral é não ter uma casa para morar, é não ter emprego...o resto é ignorância e reprodução de valores e conceitos perpetrados pela sociedade durante anos. (Mariene)
terça-feira, 5 de julho de 2016
Governo que derruba internet viola direitos humanos, diz ONU
Globo.com
04/07/2016 11h32 G1 São Paulo
04/07/2016 11h32 G1 São Paulo
A Organização das Nações Unidas condenou que países interrompam o acesso à internet para impedir a circulação de informação e que promovam violações aos direitos humanos (desde detenções arbitrárias até torturas e execuções) em reprimenda a opiniões expressas online.
Emitida pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, a resolução foi votada na última quinta-feira (30). A organização reafirma que “os mesmos direitos que as pessoas possuem ‘offline’ deve ser protegidos online’”, sobretudo o direito à liberdade de expressão, coberto pelo artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (UDHR, na sigla em inglês).
Resoluções como essa não tem força legal, mas pressionam governos e dão suporte à ação de organizações que defendem os direitos humanos.
Regimes autoritários como Rússia, China,Cuba e Arábia Saudita, e democracias África do Sul, Indonésia, Equador, Bolívia e Índia, queriam a exclusão de pedidos a países para uma abordagem mais humana da internet e de menções à UDHR e a expressões que se referissem à liberdade de expressão.A resolução foi aprovada por consenso. Mas, por abrir uma nova frente de pressão social, alguns governos se opuseram a algumas de suas passagens.
Essa era uma forma indireta de remover do texto umas das passagens em que a ONU é mais enfática: “O Conselho de Direitos Humanos (...) condena inequivocamente medidas para intencionalmente impedir ou quebrar o acesso a/ou a disseminação de informação online, em uma violação da lei internacional dos direitos humanos, e pede que todos os Estados se abstenham de fazer isso ou interrompam essas práticas". O excerto foi mantido.
Segundo o Access Now, grupo defensor dos direitos digital, governos bloquearam o acesso à internet em 15 ocasiões em 2015. Em 2016, foram, pelo menos, 20.
Outras ONGs, como o Article 19, também se manifestaram. “Nós estamos desapontados que democracias como a África do Sul, Índia e Indonésia votaram a favor dessa emenda hostil, para fragilizar as proteções ao direito de expressão online”, afirmou Thomas Hugues, diretor-executivo da organização.
A ONU faz outra condenação. “O Conselho de Direitos Humanos (...) condena inequivocamente todos os abusos e violações aos direitos humanos, como tortura, execução extrajudicial, desaparecimento forçado e detenção arbitrária, expulsão, intimidação e constrangimento, assim como violência baseada no gênero, cometidas contra pessoas por exercerem seus direitos humanos e liberdades fundamentais na internet, e convoca todos os Estados a garantir que se responsabilizem a respeito disso.”
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Defensoria Pública
http://www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_content&view=article&id=198&Itemid=60
Se você não tem condições de pagar um advogado, o governo tem obrigação de garantir um pra você. Para isso existe um órgão chamado Defensoria Pública. A Constituição brasileira garante assistência jurídica a todos os cidadãos que não possam pagar um advogado em caso de necessidade. Isso significa que o governo tem o dever de prestar esta assistência, do começo ao final do processo, sem qualquer custo. A nossa Constituição, feita em 1988, também definiu que os responsáveis por esse serviço seriam órgãos chamados Defensorias Públicas.
A maior parte dos casos cabe à Defensoria Pública Estadual. Por outro lado, casos envolvendo, por exemplo, a previdência social, são tratados pela Defensoria Pública da União. O estado de São Paulo foi um dos últimos a criar a Defensoria Pública Estadual, mas agora ela já está funcionando no lugar da antiga Procuradoria de Assistência Judiciária. É a Defensoria Pública que você tem que procurar sempre que precisar de uma orientação jurídica, entrar com uma ação ou fazer uma defesa judicial. O advogado que trabalha na Defensoria Pública é chamado de defensor público.
Qualquer pessoa pode recorrer à Defensoria Pública?
Pode recorrer à defensoria pública qualquer pessoa que precisa de um advogado e não pode pagar por esse serviço sem prejuízo para o seu sustento ou de sua família. Os casos são analisados individualmente na triagem e alguns documentos serão pedidos para comprovar que a pessoa não tem condições de pagar um advogado particular.
Já ouvi falar que algumas faculdades de direito e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) mantêm serviços gratuitos de advogados para a população carente. Também posso procurá-los?
Não. Muitas das instituições que prestavam esse serviço, como o Centro Acadêmico da faculdade de Direito da USP, o Escritório Modelo da PUC e a OAB atuaram em campanha para que a Defensoria Pública do estado de São Paulo fosse criada. Quando isso finalmente aconteceu, essas instituições deixaram de atender diretamente a população. Quando o número de casos excede a capacidade de atendimento dos defensores públicos, a própria Defensoria encaminha os casos para essas instituições que atuam como conveniadas.
Em que casos o Defensor Público Estadual pode ajudar?
- Em questões da área de família como por exemplo: pensão alimentícia, divórcio, investigação de paternidade, guarda de menores, regulamentação de visita de filhos e inventário (relacionados à herança de pessoa falecida).
- Na área civil, em problemas de dívidas, despejo, rescisão de contrato, indenização, reintegração de posse e usucapião (direito de legalizar uma propriedade imóvel que já esteja usando com se fosse o dono – por um período de tempo determinado na lei). ATENÇÃO, para casos da área civil que envolvam valores de até 20 salários mínimos, você pode ir diretamente ao Juizado Especial, sem advogado, onde a resolução dos casos costuma ser bem mais rápida.
- Na área criminal, defendendo uma pessoa maior de idade que está sendo acusada de crime. O Escritório Modelo da PUC-SP continua atendendo os casos da área criminal, mas é preciso ligar antes para agendar a visita.
- Na área da infância e da juventude infracional, defendendo uma pessoa com menos de 18 anos, que está sendo acusada de “crime” (o crime, quando cometido por um menor, chama-se ato infracional).
- Na área de acidente de trabalho. ATENÇÃO, para resolver outras questões trabalhistas você deve procurar a Delegacia Regional do Trabalho ou os postos de assistência do trabalhador. Clique aqui para mais informações.
- Na área de previdência e assistência social (problemas no pedido de aposentadoria, seguro desemprego etc.), a pessoa deve procurar a Defensoria Pública da União. Para casos de até 60 salários mínios, é possível ir direto ao Juizado Especial Federal.
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