domingo, 8 de abril de 2018

O Uso do Nome Social


O Uso do Nome Social
No dia 12 de março de 2015 o Conselho Nacional  de Combate à Discriminação e Promoções dos Direitos de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais recomendou escolas e universidades a garantir o acesso e a reconhecer esses estudantes em suas dependências. Essa recomendação vale tanto para a rede pública quanto privada. Dentre as várias mudanças recomendadas esta a que permiti o uso do nome social nas chamadas, a utilização de banheiros e de vestiários conforme sua identidade de gênero. A nova norma que permite a utilização do nome social foi aprovada em setembro de 2017 pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), mas só foi homologada pelo MEC agora em 17 de janeiro de 2018.
Para entendermos melhor o que isso significa é preciso dizer que o nome social é aquele com o qual essa população de gays, lésbicas e travestis se identificam, conforme sua identidade de gênero. Permitir  o uso do nome social na educação básica (que compreende a educação infantil, o  ensino fundamental e o ensino médio) nos remete a um princípio fundamental que rege os Direitos Humanos, que é o princípio da  dignidade Humana. O respeito ás diferenças é fundamental  e temos que nos empenhar em combater  o preconceito  e em  incentivar o respeito a diversidade sexual.  É sabido que  uma das causas de abandono escolar e de violência nas escolas é causado justamente pelo bullying  e preconceito que a população LGBT sofre. A norma não atinge apenas o nome social, mas também dá direito ao uso do banheiro e vestiários de acordo com a identidade de gênero da pessoa. Se houver uniforme, também poderá a pessoa utilizar o que for mais conveniente. Essa norma já deveria ter sido aprovada há muito tempo. É uma reivindicação antiga da população LGBT A norma não possui força de lei, mas tem o respaldo de princípios e preceitos constitucionais. É inegável que a aprovação da norma é um avanço importante para a sociedade, mas aí alguns questionam: Como vamos lidar com isso? Os profissionais da educação estão preparados pra lidar com essa situação? Na verdade as escolas e os profissionais da educação não estão preparados para essa realidade. Qual será o procedimento que as escolas adotarão?Como ficará o uso do banheiro, por exemplo?
Fica evidente que tanto a escola como professores e pais não estão preparados para lidar com o tema, apesar de esperarmos que seja no âmbito escolar onde se encontre o meio mais apropriado para a construção do conhecimento, para discussões de temas tão importantes. Devido à falta de oportunidades de questionar às sexualidades, ficam evidenciados também o desconhecimento e a negligência com que o assunto é tratado, até mesmo como forma de não levantar discussão de algo que gera polêmica e requer um posicionamento, o que, de uma maneira ou de outra, acaba nos deixando vulneráveis.O professor precisa perceber que a sua interferência como educador nas relações escolares deve ser cuidadosa, desde o linguajar às atitudes; enfim, é todo um processo que requer cuidados especiais e conhecimento por parte do educador. A diversidade sexual deve ser explorada pelo professor, ele deve levar o estudante a aprender a respeitar o diferente, através de ações que despertem o desejo do aluno de querer entender e participar de maneira sadia dessa nova percepção. O trabalho de inclusão deve ser realizado, é fundamental que a escola oportunize a esses estudantes condições para que eles se sintam à vontade para se assumirem e se expressarem sem medos e sem constrangimentos. O debate deve ser estimulado, a compreensão das questões de gênero é necessária para que o preconceito deixe de existir, ações de combate ao preconceito e a discriminação devem ser estabelecidas e serem incluídas nos projetos pedagógicos. A abordagem do assunto requer planejamento, o tema deve ser inserido no cotidiano escolar,  abordado de forma interdisciplinar, e isso requer entrega dos professores e isenção de opiniões pessoais baseadas em seus valores; a questão deve ser tratada da forma mais natural possível, com respeito e atitudes sadias em relação ao tema sexualidade.A escola continua sendo um lugar que busca formar cidadãos conscientes dos seus direitos, provocar, instigar, favorecer as transformações pessoais e sociais.
O respeito ao ser humano e ao diverso é fundamental para termos uma sociedade com igualdade para todos.

Mariene Hildebrando
Professora e especialista em Direitos Humanos

quinta-feira, 15 de março de 2018

terça-feira, 13 de março de 2018

MEC homologa resolução que permite que transexuais e travestis usem o nome social nas escolas do Brasil

G1- Educação
17/01/2018


O ministro da Educação, Mendonça Filho, homologou nesta quarta-feira (17)
 o uso de nome social nas escolas de educação básica de todo o Brasil. 
A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa do Ministério da Educação
 na tarde desta quarta.
A nova norma, que havia sido aprovada em setembro de 2017 pelo 
Conselho Nacional de Educação (CNE), e aguardava a homologação pelo MEC 
para entrar em vigor.
Com a mudança, que vale para todas as escolas de educação básica, os estudantes 
poderão solicitar que as escolas usem seus nomes sociais, e não os que constam no RG, 
em documentos de identificação, listas de presença e outros documentos oficiais escolares.
Se o ou a estudante tiver mais de 18 anos, ele ou ela poderá fazer o pedido diretamente.
 No caso de estudantes com menos de 18 anos, o pedido deve ser feito pelo pai, a mãe
 ou a pessoa responsável.
De acordo com o MEC, durante o evento, Mendonça Filho afirmou que a regulamentação
 do nome social para travestis e transexuais na educação básica "representa um princípio
 elementar do respeito as diferenças, do respeito à pessoa humana". Ele disse ainda que a
 mudança faz parte do combate do MEC ao preconceito e ao bullying, e afirmou que esse
 "é um passo relevante para o princípio do respeito às diferenças e o combate aos preconceitos".
Respeito às diferenças
Ainda segundo o ministro, a reunião em que foi feita a homologação da nova norma 
contou com a presença de ativistas do movimento LGBTI, incluindo Luma Nogueira de Andrade, 
Na nota divulgada pelo MEC nesta quarta, Luma celebrou a mudança.
 "O nome ser negado significa o não acesso aos espaços educacionais. 
Portanto, se trata de um direito fundamental que é a educação. 
Tenho que ter o mesmo acesso à escola como todas as pessoas neste país, 
considerando as minhas singularidades", explicou ela.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Defensores dos Direitos Humanos são hipócritas e histéricos???

Segundo li num artigo publicado por Cristina Miranda em um blog chamado Blasfémias, é isso que ela acha que são os defensores dos Direitos Humanos.

Hipócritas são todos os que fecham os olhos ao que ocorre não só na Venezuela, mas no mundo. Os defensores dos Direitos Humanos são menos hipócritas porque segundo o que está escrito no texto , eles são histéricos, e ser histérico quer dizer que se exaltam, se irritam e não ficam calados diante das injustiças. Todo cidadão pode e deve agir de acordo com o que acredita, Independente de ser defensor dos Direitos Humanos. As injustiças praticadas por governos ditatoriais, corruptos, e, que praticam o total desrespeito aos direitos do homem não é novidade. Como cidadãos devemos nos posicionar e tomar atitudes contra atos desumanos ou de privação de direitos.  Se bancar o histérico vai chamar atenção para o problema, vai mobilizar pessoas, governos, entidades, vai fazer com que mais pessoas despertem para os problemas existentes no mundo, que não se resumem a Venezuela, então está muito bom. Chamar de hipócrita quem tenta dar voz aos que necessitam, quem procura tentar diminuir as diferenças é no mínimo uma atitude leviana e de  desrespeito  a quem tenta fazer algo pelo outro. Atacar os defensores dos Direitos humanos e tratar com desconsideração quem luta pelo direito, é bem mais fácil que atuar de modo concreto.
Sempre desconfiei de pessoas que se julgam juízes capazes de julgar e sentenciar  sem a menor culpa.
Concordo que existe um “silêncio ensurdecedor” sobre o que se passa na Venezuela,e  na África, e com o que acontece aos refugiados, e com a fome no mundo, com as mortes e atrocidades cometidas em nome da intolerância religiosa, com os desmandos dos governantes, com a falta de comida, de moradia, de emprego, tráfico de pessoas etc... os problemas são muitos, poderia continuar enumerando mais uma centena de violações  aos direitos humanos e de violação da dignidade humana.

 Segundo essa senhora:
Onde andam os histéricos defensores dos direitos do homem? Não andam. Sumiram.

Sinto dizer que estão por aí só tentando ajudar, dar voz e lutando pelos mais fracos e necessitados, fazendo algo, em vez de apenas criticar. 

Precisamos de mais ação e menos falação!

 o artigo: https://sim-senhor-ministro-cristinamiranda.blogspot.com.br/2018/01/onde-estao-os-hipocritas-defensores-dos.html?spref=fb

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Feliz Natal!



    Quero agradecer a todos que passaram      pela minha página ao longo desse ano. Todos que tiraram um tempinho para ler        minhas postagens, meus artigos e crônicas. Todas as mensagens    que recebi por e-mail. As trocas e o carinho recebido só me            incentivam a continuar escrevendo. Saber que de alguma      maneira    posso ajudar ou fazer a diferença com aquilo que  compartilho, me dá uma enorme satisfação.
Desejo a todos vocês, a esperança de dias melhores, o fortalecimento dos Direitos Humanos, o aumento de compreensão e da tolerância. Que o preconceito diminua e que antes de qualquer coisa a gente perceba que  somos “seres humanos”.  Não temos cor, minha religião não me define, minha sexualidade não me diz quem eu sou. O que  me define é o meu caráter, os meus valores e crenças.
Promover um novo jeito de pensar e agir é compromisso nosso, é um caminho para se viver melhor e em paz.

                                                                                Feliz Natal !



domingo, 3 de dezembro de 2017

Trabalho escravo até quando?

  
Imagem retirada da internet
   

 Trabalho escravo até quando?
            Parece mentira falar que existe trabalho escravo no mundo e no Brasil. Mas existe. O trabalho escravo foi abolido no Brasil em 1888 pela Lei Áurea. O art. 149 do Código Penal Brasileiro diz que:
            Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto:
            Dados do Ministério do Trabalho informam que nos últimos 20 anos foram resgatados quase 50 mil trabalhadores que se encontravam em situações semelhantes às de escravidão. As condições semelhantes eram: “Submissão a trabalhos forçados; Jornada exaustiva; condições degradantes de trabalho; restrição da locomoção em razão de dívida, trabalho forçado.”
            O Brasil foi um dos primeiros países a admitir que o problema do  trabalho escravo existia no país, e assumiu isso perante a OIT (Organização Internacional do Trabalho). Pelas medidas tomadas que acrescentaram outros tipos de exploração ao trabalho escravo, viramos modelo de combate desse crime perante a comunidade internacional.  Esse tipo de trabalho aparece em várias atividades econômicas desde as ligadas as atividades rurais e mais recentemente tem aparecido nas grandes cidades, nos ramos de construção civil, têxtil etc... Infelizmente ele está presente na maioria dos estados. O estado com maior percentual desse tipo de trabalho é o Pará.  A maioria dos trabalhadores são homens e são aliciados com falsas promessas de bons salários e trabalho digno, vão em busca de uma vida melhor, e só encontram situações indignas, onde os direitos básicos são desrespeitados. Dentre os aliciados estão os estrangeiros que se encontram em situação mais vulnerável ainda, pois a maioria não se encontra em situação regular, essa desvantagem acaba servindo de munição para aqueles que exploram e vilipendiam os direitos humanos. Somam-se a esse quadro desolador o fato de uma boa parte desses trabalhadores serem analfabetos, possuírem pouco estudo, não terem acesso à informação e a educação adequada, o que torna a manipulação por parte do explorador mais fácil de ser realizada.
            O trabalhador não consegue se desligar daquele que o está coagindo, se vê envolvido em dívidas intermináveis, sofre pressão psicológica, moral, e não dispõe mais sobre sua vida.  A Declaração Universal dos Direitos Humanos diz em seu Artigo 4.º Ninguém pode ser mantido em escravidão ou em servidão; a escravatura e o comércio de escravos, sob qualquer forma, são proibidos.
            O trabalho escravo fere a dignidade da pessoa humana, um direito básico e fundamental, pois a falta de dignidade também nos torna escravos, tanto quanto as condições indignas de trabalho, a falta de liberdade para ir e vir. A Declaração de Direitos Humanos diz que: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos.” No momento em que temos nossos direitos violados e desrespeitados, homens escravizando outros homens, perdemos  um pouco a fé na humanidade e começamos a duvidar que o Estado possa nos proteger e garantir nossos direitos.
           Toda essa discussão veio à tona pelo impacto causado pela nova portaria que tornou as normas referentes ao trabalho escravo, menos rígidas. Um retrocesso em uma luta que está longe de acabar. A portaria viola direitos e princípios básicos da Constituição Federal, e desconsidera compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em relação a esse assunto.
      Agora, para ficar caracterizado a condição de escravo, é necessário  a privação do direito de ir e vir, as demais condições por si só não bastam sem esse requisito.  O trabalhador que estiver trabalhando em condições precárias e desumanas, em jornadas de trabalho extenuantes, recebendo salários indignos, se não tiver sua liberdade de locomoção cerceada, não realiza trabalho escravo. Toda a polêmica causada pela portaria serviu para que a discussão sobre esse assunto tão delicado voltasse a fazer parte das conversas e debates do nosso cotidiano. Algo vai mudar, mas não para pior, estamos atentos para não deixar isso acontecer.
      A fiscalização tem que ser intensificada. O Estado tem que investir em políticas públicas que gerem empregos e rendas, tem que investir em educação, pois o conhecimento é fundamental. Investir na prevenção e pelo fim do trabalho escravo. Combater em todas as frentes. A dignidade da pessoa humana é um direito que tem que ser protegido pelo Estado.
      Houve um pedido do Ministério Público Federal para que a portaria que modificou o que se entende por trabalho escravo  fosse revogada, até o momento em que escrevi esse artigo, a ordem não tinha sido cumprida. Esperamos que esse retrocesso e falta de respeito pelos direitos humanos não se concretize. Esse abrandamento das regras é uma ameaça a  trabalhadores humildes e fere preceitos fundamentais da Constituição Federal.

Mariene Hildebrando
E-mail: marihfreitas@hotmail.com




domingo, 27 de agosto de 2017

Lésbicas: A invisibilidade leva a marginalização




29 de agosto, é considerado o dia Nacional  da visibilidade Lésbica. A data foi criada no 1º Seminário Nacional de Lésbicas em 1996, por lésbicas brasileiras. E qual o motivo de se criar uma data para elas? O motivo é sempre o mesmo quando falamos de minorias discriminadas e vítimas de preconceitos, mostrar as pessoas que essa realidade existe e que por conta disso a mulher lésbica sofre violência de todo tipo, física, verbal e psicológica em todos os lugares que frequenta. Enfrentam a lesbofobia, a misoginia, e as mulheres negras lésbicas ainda enfrentam o preconceito racial junto.  As mulheres lésbicas são invisíveis no sentido de que sua realidade é ignorada. Ser desprezada por sua orientação sexual, ter seus direitos violados, sofrer estupro corretivo ( Estuprar com a finalidade de corrigir e punir as lésbicas, bissexuais, trans, com a intenção de transformá-las em mulheres ), tamanha violência e ignorância não tem explicação. Acredita-se que o  índice de suicídios entre as lésbicas é maior do que se  apresenta, mas há poucos estudos sobre esses dados. A invisibilidade já se apresenta nessa falta de dados, sem um estudo mais detalhado dessa realidade não se implementam políticas e ações públicas para combater a violência e a discriminação, como se o problema não existisse. A violência contra essas mulheres é ignorada pelo Estado, vários casos de violência aconteceram recentemente e pouco se falou sobre isso, não houve divulgação desses assassinatos, não há essa preocupação de fazer o registro e de saber onde eles estão acontecendo, como estão ocorrendo. O Estado ignora essa violência.
As lésbicas e bissexuais sofrem pelo menos um estupro corretivo por mês. Os bissexuais, os homens  transgêneros estão incluídos nessa violência toda. O que mais impressiona é constatar que a violência também é provocada por pessoas que convivem com a vítima, pessoas próximas, ex- parceiros. O preconceito ocorre em todos os espaços. Muitas não sabem que podem contar com a Lei Maria da Penha que também é para casais homossexuais. Outra consequência da invisibilidade é a desinformação  e a falta  de preparo dos profissionais da saúde para lidar com essa população. Não existem políticas sexuais para essas mulheres, como se a saúde sexual delas não fosse importante, como se não estivessem sujeitas a doenças e contaminação como qualquer pessoa.Os direitos fundamentais do homem  proclamados na Constituição Federal e na Declaração dos Direitos Humanos continuam sendo violados, o desrespeito praticado pela sociedade em geral, o despreparo dos profissionais da educação, a discriminação religiosa, as agressões de toda ordem, o ódio, a exclusão provocada pela ignorância, são  fatores discriminatórios perpetrados contra os homossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segregação social de pessoas que têm uma sexualidade distinta. Assim acontecem a cada hora atos de violência, atos de crueldade e humilhação contra a população homossexual, lésbicas, gays, transexual.
Existir um dia da visibilidade lésbica é necessário para que nos conscientizemos sobre  a desumanidade dos atos violentos que são infligidos a essas mulheres diariamente, para que a gente perceba a crueldade, a humilhação, o descaso com essa população. Quando chegará o dia em que a orientação sexual não fará diferença? A  orientação sexual  não  diz quem  a pessoa é, não faz o seu caráter, os valores de uma pessoa não são pautados pelo sexo, e sim por aquilo que acreditam e respeitam. Ser mulher já é motivo para sofrer discriminação, imagine mulher e lésbica! Desrespeitar e desvalorizar alguém, humilhando e discriminando em função de sua orientação sexual, é tratar com desigualdade e ferir a dignidade do ser humano. Não podemos aceitar que discriminações/preconceitos validem e limitem direitos que são  essenciais e fundamentais para a sociedade. O direito independente de estar na Lei Maior, deve antes ser importante para o indivíduo e para a sociedade, deve ser fundamental para o ser humano.  A declaração Universal dos Direitos Humanos proclama em seu Artigo 1° “ Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.” Infelizmente o Brasil está entre os países em que há o maior número de assassinatos por orientação sexual. Pelo menos um a cada 28 horas, e mais de 90% deles motivados pela homofobia., que é  a aversão e o preconceito aos homossexuais. É preciso respeitar essa minoria, dar espaço para elas falarem, parar com o massacre duplo que sofrem (mulher e lésbica), parar de achar que a heterossexualidade é obrigatória, mostrar aos homens que elas não são ameaças ao seu patriarcado, e que ser lésbica não é modinha. Perseguir e marginalizar as lésbicas com a intenção de calá-las não vai fazer com que o problema desapareça. Lésbicas contribuem para a sociedade tanto quanto qualquer outra pessoa. A ONU reconhece o dia  da visibilidade lésbica., criou a campanha “Livres e Iguais”  que destaca a importância do apoio familiar para as pessoas LGBT, conscientiza sobre o preconceito e luta por uma sociedade mais justa. É preciso que os casais LGBT tenham uma legislação que lhes garanta os seus direitos, vamos legitimar  o que já é  jurisprudência.
            A dignidade da pessoa humana só está garantida quando direitos fundamentais como liberdade e igualdade estão protegidos, garantidos, e, principalmente respeitados, pelo Estado que deve zelar e cuidar de seus cidadãos, e pela sociedade que deve ter um olhar de igualdade e sem preconceito com o ser humano independente de sua orientação sexual
Mariene Hildebrando




quinta-feira, 6 de julho de 2017

A Desigualdade de Gênero: Homem x Mulher

A desigualdade de gênero não é um “privilégio” do Brasil. Infelizmente ela existe desde a antiguidade e persiste até nossos dias. Mas afinal o que é gênero? Gênero pode ter vários significados, aqui nos interessa o significado de gênero em relação ao homem e a mulher. Alguns conceitos:
“Conceito que engloba todas as características básicas que possuem um determinado grupo ou classe de seres ou coisas.”
“Conjunto de seres ou objetos que possuem a mesma origem ou que se acham ligados pela similitude de uma ou mais particularidades.”

Nossa constituição estabelece em seu artigo 5º, inc. 1º:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição ;

            Temos garantida a igualdade de todos constitucionalmente,  no entanto, esse amparo legal sofre  diversas violações no dia-a-dia, o desrespeito a esses direitos acontece a todo o momento, expondo a fragilidade de nossas normas jurídicas perante séculos de discriminação contra a mulher. A mulher precisa trabalhar dobrado para conseguir um salário igual ao do homem. Tem dupla ou tripla jornada de trabalho, visto que trabalha em casa também. A mulher sempre foi vista como um ser inferior e que devia submissão ao homem, e, embora esse quadro venha mudando ao longo dos anos, através de lutas e movimentos feministas, a participação feminina na política, na educação, no mercado de trabalho continua desigual.
A desigualdade de gênero fere princípios e direitos básicos do ser humano, no caso a mulher em especial. Fere o princípio da dignidade humana É sobre a liberdade e a igualdade que está fundamentada a dignidade da pessoa humana. Desrespeitar e desvalorizar alguém, tratar de maneira diferenciada, humilhando e discriminando em função de gênero, é tratar com desigualdade e ferir a dignidade do ser humano. Não é aceitável que discriminações/preconceitos sejam eles de que tipo forem, invalidem e limitem direitos que são  essenciais e fundamentais para a democracia, agindo assim com certeza estaremos fortalecendo a desigualdade social que já existe. Há quem defenda a tese de que homens e mulheres por serem biologicamente diferentes teriam justificadas as desigualdades existentes. É inadmissível usar as desigualdades biológicas para justificar seja lá o que for que exclua a mulher, que discrimine, que  use de violência, que produza qualquer tipo de injustiça.
             A expressão gênero foi utilizada pela primeira vez no Brasil na Convenção de Belém do Pará em agosto de  1996. Está incorporada nas legislações de vários países bem como nas normas internacionais. No Estatuto do Tribunal Penal Internacional (Roma 1998) está incorporado o conceito de gênero: o art. 7º, item 3, “entende-se que o termo “gênero” abrange os sexos masculino e feminino, dentro do contexto da sociedade, não lhe devendo ser atribuído qualquer outro significado”.


            A ONU divulgou o relatório O Progresso das mulheres no mundo, (2015-2016),que mostra que as mulheres recebem um salário quase 30% inferior ao do homem na mesma função. Segundo a ONU, “as mulheres são responsáveis por uma carga excessiva de trabalho doméstico não remunerado referente aos cuidados com filhos, com pessoas idosas e doentes e com a administração do lar.” ( Agência Brasil/Direitos Humanos).

            A ONU Mulheres foi criada em 2010 para tratar da igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, investindo na capacidade econômica das mulheres como forma de garantir a diminuição da desigualdade existente. Segundo a ONU o Brasil  tem trabalhado para que essas diferenças diminuam, e se destacou pela criação de mais  trabalho para a mulher e por políticas de inclusão na vida econômica do país. Ações públicas que se propõe a diminuir as desigualdades são de extrema importância e permitem que avancemos  na luta por trabalhos decentes e redução da desigualdade salarial entre homens e mulheres, maior participação política  da mulher, e tantas outras medidas que podem ser tomadas e que valorizem o papel da mulher no desenvolvimento do país.
            Não é fácil mudar uma história de anos de preconceito e discriminação de uma sociedade patriarcal. As desigualdades não são apenas a nível cultural, mas econômicas, políticas, e decisórias. Apesar das mulheres superarem os homens em nível de escolaridade, de representarmos mais da metade da população e do eleitorado, e sermos quase 50% da população economicamente ativa do país, o abismo entre homens e mulheres ainda é grande.  Precisamos ocupar os espaços que ainda não ocupamos em função da desigualdade acentuada, políticas de enfrentamento são bem-vindas. O que queremos é uma sociedade mais justa e igualitária que garanta a todos, igualdade e oportunidade, independente do gênero, da cor, da raça.

Mariene Hildebrando
Especialista em Direitos Humanos
Email: marihfreitas@hotmail.com









Direitos humanos ou Direitos dos bandidos?

Eis uma pergunta que sempre é feita para quem defende os Direitos Humanos. Direitos humanos só servem para proteger bandidos?.  Não. Direitos humanos são direitos fundamentais que possuímos e são para todos. A defesa dos direitos humanos não é algo individual apenas, garante  direitos a todas as pessoas. Não existem garantias que um cidadão inocente não possa sofrer algum tipo de perseguição ou constrangimento ilegal, e vir a ser tratado como bandido, e até o engano ser desfeito ele vai querer alguém lhe defendendo e garantindo seus direitos. Esses direitos não são, portanto, prerrogativas de bandidos apenas, e sim da sociedade em geral.
Perguntas que demonstram o quanto as pessoas estão preocupadas com o seu umbigo apenas. Minha resposta é simples. Todos têm direito ao Direito, e os Direitos Humanos são para HUMANOS! Simples assim. Mas parece difícil convencer aquele que se acha melhor que o outro porque não cometeu “nenhum crime”, as justificativas são muitas. As críticas são imensas, e a ala mais conservadora da sociedade acha que os direitos humanos servem para privilegiar bandidos, legitimando a conduta transgressora, através de uma punição segundo eles inexistente, pois não pune. Nesse sentido o entendimento é que somente uma postura violenta e dura daria resultado e faria a criminalidade diminuir, algo como : Bandido não tem direitos, e qualquer punição que sofra ainda é pouco.
            Direitos humanos ou Direitos naturais, individuais, servem para designar a mesma coisa, os direitos fundamentais do homem. Correspondem às necessidades básicas do ser humano, aquelas que são iguais para todas as pessoas e devem ser atendidas para que se possa levar uma vida digna.  São princípios que servem para garantir nossa liberdade, nossa dignidade, o respeito ao ser humano para termos uma sociedade com igualdade para todos.
            Se são universais subentende-se que são para todos, independente de credo, raça, cor, sexo, posição política, social, econômica etc. inclusive para bandidos. Portanto dizer que os Direitos Humanos se preocupam apenas com bandidos é uma falácia. Não podemos ser tão ingênuos a ponto de querer isolar o criminoso pensando nele como apenas um indivíduo mau caráter, de má índole. Essa visão simplista não se sustenta. O sujeito é fruto de vários fatores sociais. Como as pessoas viram marginais?  Por acaso as pessoas nascem bandidos? Prevalece em nossa sociedade injustiças e desigualdades profundas que são a base para a criminalidade. Não somos a favor do crime, e todos que são vítimas têm o direito de ficarem furiosos com isso, mas não respeitar os direitos humanos não vai ajudar a mudar esse quadro que aí está, pelo contrário, só vai fomentar o ódio e aumentar a criminalidade.
 É certo que nada justifica o crime ou qualquer outro tipo de violência. Tudo que fere a dignidade humana deve ser combatido, mas dizer que os Direitos Humanos são apenas para bandidos é não querer encarar a realidade que vivemos que é a da desigualdade social.
            É natural que os defensores dos direitos humanos dediquem mais atenção àqueles que são mais frágeis e que ocupam uma posição menos privilegiada dentro de uma sociedade. A impunidade tem sido uma das bandeiras dos militantes dos direitos humanos, dizer que bandido bom é bandido morto é menosprezar a vida humana, é dizer que uns são melhores que outros, e se arvorar juiz da vida, determinando quem deve morrer e quem é digno de continuar vivendo.
    Quando falamos em Direitos Humanos, muitas ideias passam por nossa cabeça, muitos assuntos e discussões, vemos os direitos humanos serem violados a todo o momento em todos os lugares, e, em todos os tipos de sociedade. Portanto discutir o direito dos criminosos é discutir o direito de seres humanos. Bandido, criminoso, tem que ser punido sim!  Mas essa punição não cabe a nós cidadãos comuns, e sim ao Estado que tem como função promover o bem comum, zelar pela segurança e bem estar do cidadão.
            A insatisfação social ocasionada pela ineficiência do Estado em punir, gera a vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Isso se percebe nos linchamentos e casos de vinganças que ocorrem diariamente. É verdade que a criminalidade aumenta cada vez mais e isso nos assusta, mete medo, nos causa insegurança e alimenta nossa raiva contra essa situação que se instalou em nosso dia-a-dia. Mas achar que nós mesmos podemos resolver a situação, cometendo atrocidades, fazendo “justiça” não resolve em nada os problemas. Culpar os defensores dos direitos humanos também não.     As leis são para todos, criminosos ou não. Os defensores dos direitos humanos lutam pelo respeito e defesa desses direitos. Não defendem bandidos, mas sim o direito que é de todos a um processo legal, as garantias constitucionais. Lutamos para que haja justiça e punição, mas sem deixar de lado as normas, as garantias aos direitos sociais e individuais, a preservação da dignidade humana. Não queremos voltar ao tempo da vingança privada, ou permitir ao Estado que exerça seu poder ilimitadamente sobre os cidadãos.  Direitos humanos são para as vítimas e são para os bandidos. Se nos sentimos ameaçados e sem liberdade por conta do medo que nos domina, vamos cobrar de quem tem que nos proteger. Vamos cobrar uma atuação mais rigorosa do Estado. A paz só é possível com a observância dos direitos humanos. Como declarou Martin Luther King, Jr., quando defendia os direitos das pessoas de cor nos Estados Unidos durante a década de 60: “Uma injustiça em qualquer lugar é uma ameaça para a justiça em todos os lugares.”
Mariene Hildebrando

e-mail: marihfreitas@hotmail.com

terça-feira, 2 de maio de 2017

Por um futuro de paz

O Dia Internacional Contra a Homofobia é comemorado no dia 17 de maio em todo mundo. Foi quando a homossexualidade foi retirada da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS),
 É um dia que é conhecido como um dia de luta contra a transfobia e a bifobia também. Bifobia é a aversão a quem é bissexual e transfobia é quando pessoas e grupos de identidades de gêneros, como a população  trans (transgêneros, travestis, transexuais) como as lésbicas, o bissexual, o gay , o travesti,o grupo (LGBT) sofre preconceito, aversão, discriminação, constrangimento ou sofre algum tipo de violência por outras pessoas ou grupos de pessoas que se acham “normais”.  Normais?  Mas o que é normal afinal? Ser normal é um conceito relativo, se diz por aí que “de perto ninguém é normal”.
             Ser normal segundo o dicionário é estar dentro das regras, da normalidade, regular, dentro da média. Ora, vamos combinar que hoje em dia cada vez mais esses paradigmas caem por terra. Somos bilhões de pessoas habitando esse planeta, cada qual com suas características, com suas peculiaridades, físicas, genéticas, culturais. A diversidade faz parte da nossa natureza, então como podemos dizer o que é normal? Como podemos em nome da “normalidade” classificar pessoas, enquadrá-las em algum tipo de conceito ou perfil que achamos ser o ideal, como se todo o resto não importasse e merecesse o nosso desprezo e a nossa discriminação. Somos diferentes, cada qual com seus sonhos, quereres, gostos, amores, cada qual com sua vida, suas crenças.  Devemos entender que somos todos iguais em direitos, mas diferentes na nossa essência, diferentes como seres humanos que somos. Quando destoamos do que a maioria considera como normal, nos sentimos fragilizados e nos tornamos um alvo fácil para pessoas preconceituosas, nos tornando vítimas daqueles que se arvoram o direito de julgar e condenar.
            São vários os fatores discriminatórios perpetrados contra os homossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segregação social de pessoas que têm uma sexualidade distinta. Assim, acontecem a cada hora atos de violência, atos de crueldade e humilhação contra a população homossexual, lésbica, gay, transexual. A homofobia cresce a cada dia em nosso país, como se fosse um vírus a se espalhar. A homossexualidade faz parte da nossa sociedade, configurando-se em um tema gerador de polêmicas e preocupante no contexto atual. Preconceito e discriminação andam juntos.
            Existir um dia internacional contra a homofobia é necessário para que nos conscientizemos sobre a discriminação e a desumanidade dos atos violentos que são infligidos a esses indivíduos diariamente. É importante para que nos posicionemos sobre a importância de criminalizar a homofobia. Essa luta deve ser de todos aqueles que querem uma sociedade mais justa
             Nesse dia acontecem vários atos e atividades de promoção de direitos iguais aos homossexuais e todos que fazem parte do mundo LGBT. O combate a homofobia é importante para termos uma sociedade mais igualitária e justa. A compreensão desse tema evita conflitos e potencializa a aceitação de que somos seres humanos em constante aprendizado, e que a diversidade faz parte da condição humana. Respeitar as diferenças, respeitar o ser humano nos levará a um convívio pacífico, a um mundo mais solidário,  onde todos são valorizados. Não podemos tolerar que a intolerância predomine.
A nossa  Constituição Federal consagra no artº 1 inc.III a  dignidade da pessoa humana, tem como objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa, solidária, bem como a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, cor, ou de qualquer outra espécie (art. 3º, I e IV CF), e consagra a igualdade como direito fundamental (art. 5º, caput, da CF).
            Antes de qualquer coisa somos seres humanos. Promover um novo jeito de pensar e agir é compromisso nosso, é um caminho para se viver melhor e em paz. Se queremos um futuro sem violência nem discriminação contra a população homossexual, precisamos ter leis mais efetivas, cobrar a atuação do Estado com mais rigor. Educar as crianças, educar os adultos para que essa situação não se perpetue. É preciso levar esse tema a sério e respeitar os direitos humanos e fundamentais
 O preconceito é condenável e em nada acrescenta ao ser humano. Somos o que somos , nosso caráter não é definido pela nossa identidade de  gênero ou sexo ou cor ou pela minha orientação sexual, ou....qualquer coisa que queiram inventar para justificar aquilo que não pode ser justificado.
Não podemos tolerar que a intolerância predomine!
Mariene Hildebrando
e-mail: marihfreitas@hotmail.com





terça-feira, 18 de abril de 2017

O descaso com os Profissionais da educação

O descaso com os Profissionais da educação 
Sabemos que uma das classes mais desvalorizadas no Brasil, é a dos profissionais da Educação. Valorizar essa classe tão importante e fundamental para o desenvolvimento e o futuro  de qualquer nação, deveria ser a prioridade de qualquer governo que preze a sua independência e o futuro de seus jovens. A valorização dos profissionais da educação passa  por gestão, por aplicação dos recursos  e investimento  na formação desse profissional. A medida  que nos sentimos valorizados, não tememos o futuro, pois conseguimos projetar a nossa existência de maneira digna. Um país só se desenvolve quando investe em Educação. Qualificar e dar ênfase a formação do docente é uma medida de fundamental importância para melhorar a qualidade da educação no Brasil. Bons salários, planos de carreira, investir em cursos de capacitação para professores, é condição fundamental para o avanço nessa área, valorizar o trabalho dos professores, essa deveria ser uma das metas do governo. A Educação de qualidade está diretamente ligada ao desenvolvimento econômico, precisamos de pessoas qualificadas para preencher as vagas de um mercado de trabalho cada vez mais exigente, e isso não se consegue com um ensino de baixa qualidade. Mais instrução, melhor salário, e consequentemente  isso irá se refletir em uma melhor qualidade de vida. O baixo investimento na educação pública produz um quadro desolador que vem há anos se arrastando na educação brasileira. Está na hora da educação ser tratada com seriedade nesse país, ser prioridade, tirar a educação da situação de precariedade em que ela se encontra. Incentivos aos educadores é fundamental, para que ele tenha vontade de ir adiante, de buscar por mais instrução, por mais qualificação. A escola brasileira está doente. Nós educadores somos o agente principal da ação docente. O investimento em nossa qualificação deveria ser  primordial para qualquer governo.Um ensino de qualidade  passa pelas necessidades coletivas e individuais dos profissionais da educação que tem influência direta na aprendizagem do aluno, pela escola que ajuda a formar cidadãos e deve prepará-los para o exercício da cidadania. Dar o suporte através de cursos, seminários, para que o professor tenha o domínio sobre a teoria, se aproprie do saber e possa se utilizar de uma práxis forte e substancial onde sua capacidade e habilidade se desenvolvam em prol não só dele mesmo, como e principalmente para o desenvolvimento pleno do aluno. As condições em que os professores  vem trabalhando , sem incentivos, salários dignos, planos de carreiras decentes, ou nenhum plano, os faz descrer de um futuro  melhor, de uma vida digna. A Rotina de um professor é estafante. Trabalhar com educação sem as condições apropriadas e ainda se sentir desvalorizado, sem estímulo para continuar, constitui um agravante nessa rotina. Horas falando, se deparando com todo tipo de aluno e de situações difíceis, sobrecarregando a saúde mental e física. Condições de trabalho inadequadas, professores trabalhando 60 horas para  aumentar sua  renda, fazendo o papel de pais, além de educadores. Esse papel, está sendo passado para esses profissionais. Resultado? Doenças, e doenças significam professores a menos em sala de aula. Uma doença em que nós professores somos campeões chama-se Síndrome de Burnout, conhecida também como a síndrome do esgotamento profissional. Segundo o Dr. Drauzio Varella a principal característica da síndrome é:
 “O estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes.O sintoma típico da síndrome de burnout é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, mudanças bruscas de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo, baixa autoestima.”
Não é preciso dizer que isso reflete diretamente  no aluno e na qualidade do ensino.
A máxima de que a Educação é a base da sociedade continua valendo. Ajudar a formar cidadãos pensantes, reflexivos, atuantes, requer  mudança na educação como um todo. Essa mudança passa pelos profissionais da educação também. Eis o grande desafio. O aperfeiçoamento profissional deve ocorrer em todas as áreas do conhecimento, em todas as profissões, mas quando se trata do educador a evolução tem que ser constante. Para isso faz-se  necessário estar atualizado, se aperfeiçoando, aprendendo novos métodos, novas técnicas, trazendo a inovação para dentro da instituição. O mundo se transforma rapidamente, e devemos acompanhar essa evolução nos mantendo sempre informados, o que ocorre principalmente através de cursos, de estudos. Sabemos que para ser bom professor é necessário muito mais do que vocação e boa vontade. É necessário investir numa boa formação, capacitação e valorização desses profissionais. Precisamos recuperar a dignidade perdida. Lutar por uma educação de qualidade, inclui valorizar o docente. Estamos longe de atingir essa meta. A Educação é fundamental para o crescimento econômico e o desenvolvimento humano e social. O conhecimento transforma, liberta, nos faz seres pensantes e com opinião, talvez isso não seja prioridade porque não é interessante ter cidadãos atuantes e questionadores...quem sabe...
Mariene Hildebrando
Professora e especialista em Direitos Humanos



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

HOMOSSEXUALIDADE- Preconceito e Discriminação ( na escola)

HOMOSSEXUALIDADE- Preconceito e Discriminação ( na escola)( excerto de meu livro O preconceito contra os homossexuais nas escolas)Por Mariene Hildebrando

A homossexualidade faz parte da nossa sociedade, configurando-se em um tema gerador de polêmicas e preocupante no contexto atual, sendo muito discutido. Cabe aos profissionais da educação tratar essas questões no âmbito escolar, deixando de lado uma postura conservadora,discutindo e achando soluções para que essa convivência seja a melhor e mais natural possível.Preconceito e discriminação andam juntos; a discriminação é a consequência do preconceito, é a repulsa ao diferente, é dizer que existe uma ordem natural da sexualidade e o ser homossexual está excluído dela. São vários os fatores discriminatórios perpetrados contra os homossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segregação social de pessoas que têm uma sexualidade distinta.Partindo do pressuposto de que temos garantida, pela Constituição Federal, a livre orientação sexual como direito humano, e que esse direito encontra respaldo nos documentos internacionais sobre Direitos Humanos (PNEDH),deveríamos esperar que esses preceitos fossem cumpridos com mais empenho, mas a realidade que se apresenta é completamente diferente.Não existe diferença entre relacionamentos homo ou heterossexuais. São as pessoas que, com seus preconceitos e ignorância, acabam passando uma ideia errada a respeito desse assunto. Temos que desmistificar a homossexualidade, e a escola é um ótimo canal para que isso ocorra. Aprende-se, além de conteúdo, a exercitar nossa capacidade de conviver com o diverso. A sexualidade deveria estar na grade curricular das escolas, só assim esse tema  seria abordado de forma mais apropriada. Os profissionais da educação têm que entender que não cabe mais a omissão, não se pode mais ficar alheio e insensível às práticas homofóbicas. Tem-se que fazer o caminho contrário e praticar a inclusão dessas minorias.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A Justiça dos homens


Segundo o Direito Justiça é dar a cada um o que é seu por direito.
            O Dia da Justiça é comemorado no dia 8 de dezembro, em todo o território nacional. Mas o que seria isso? Será que o sentido de justiça é igual para todos? Não existe aí uma grande variação no que entendo por justiça daquilo que você entende?
            Claro que sim. Nada é tão simples nunca. A minha noção de justiça não é isenta das minhas intenções. Cada um tem uma noção do que seja senso de justiça que vai se expressar conforme o discernimento de cada um, o conhecimento e valores éticos e morais sobre justiça. Então temos o conceito genérico de justiça, que tem a concordância de quase todos, e temos o conceito mais particular, com nossas peculiaridades e crenças, menos imparcial.
            Segundo o dicionário Justiça é “a qualidade do que está em conformidade com o que é direito; maneira de perceber, avaliar o que é direito, justo”. O problema é saber qual a coisa certa a fazer. Levando em conta a moral e a nossa consciência, existem certos deveres e princípios que são absolutos. Vou falar aqui da justiça que é feita por pessoas que se acham “justiceiros” da lei, da moralidade e dos bons costumes, achando que podem fazer justiça com as próprias mãos, passando por cima de tudo e de todos em nome da paz e daquilo que qualificam como o certo a fazer.
            O tempo em que a vingança privada  dominava, por conta de falta de leis e de um Estado que realizasse essa função já passou.  A tendência geral é a evolução do homem, do Direito Penal. O “olho por olho , dente por dente” não pode ser a regra. A insatisfação das pessoas e a falta de impunidade que presenciamos diariamente nos faz acreditar que podemos resolver do nosso jeito, baseado na crença de que se o Estado não pune, não faz a sua parte, nós podemos fazer, afinal são tantas as leis e a maior parte não se aplica da maneira como deveria.
            A insatisfação social pela ineficiência do Estado em punir, gera a vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Isso se percebe nos linchamentos e casos de vinganças que ocorrem diariamente nos grandes centros urbanos, inclusive em cidades do interior. É verdade que a criminalidade aumenta cada vez mais e isso nos assusta, mete medo, nos causa insegurança e alimenta nossa raiva contra essa situação que se instalou em nosso dia-a-dia. Mas achar que nós mesmos podemos resolver a situação, cometendo atrocidades, fazendo “justiça” não resolve em nada os problemas. O Direito é para todos. As leis são para todos, criminosos ou não.
            A justiça do povo, não é uma justiça baseada nas leis e nos princípios do Direito. A justiça feita pelas próprias mãos é uma autotutela extremamente temerária e danosa porque surge do sofrimento e da dor causada por um filho que foi morto em um assalto, por um pai ou uma mãe que teve sua filha violentada por estrupadores, pelo salário do mês que foi conquistado com sacrifício, ser levado por um assaltante. Surge da descrença nesse sistema que aí está. O pensamento é : Ele tem que pagar o que fez com dor, vamos espancar, linchar, bater para que a lição seja aprendida. Vingança! Vamos vingar o mal feito. E quando a vingança é baseada em suposições? Dai temos um problema ainda maior. A violência não justifica outro ato de violência, mas como seres humanos e, portanto, falíveis, estamos todos sujeitos a cometer um ato desses durante a nossa existência. Para defender quem amamos somos capazes de muitas coisas que nem imaginamos. Isso quer dizer que agimos como animais? Estamos errados em seguir nossos instintos mais primitivos?
            O que não podemos é achar que isso é normal e certo. Voltar a crer na justiça, no Estado, que ele é capaz de nos proteger e de agir. Não podemos acreditar que não precisamos do Estado para cuidar das nossas relações, da sociedade. A ausência de regras e limites nos leva a uma ruptura do pacto social. A sensação de insegurança e impunidade leva o homem a querer punir  aquele que comete o crime, sem respeitar as leis. Esse comportamento tem que ser extirpado da nossa sociedade, devemos priorizar os direitos fundamentais das pessoas e não alimentar o desejo de vingança.
            Clamamos por justiça diante de tudo àquilo que nos causa dor, que perpetua a desigualdade, que abala a nossa moral. Pode estar envolvido interesse pessoal ou não. Lastimamos a injustiça cometida aos outros. Quando  defendemos nosso  direito, estamos salvaguardando o direito de todas as pessoas, reagir a uma ilegalidade ou a uma dor moral ou física que nos aflige através da injustiça nos mostra que ainda nos sensibilizamos e reagimos contra qualquer tipo de violência. Mas a punição não cabe a nós e sim ao Estado, que é responsável por garantir os direitos sociais, preservar e garantir os direitos humanos, a dignidade da pessoa humana.
            A sensação de insegurança e  de impunidade  nos assusta, a falta de leis mais severas também, mas não deve nos tornar brutos,  Sentimos-nos frágeis e  desprotegidos, por conta disso queremos fazer aquilo que é dever e obrigação do Estado, o que é muito perigoso, pois estamos voltando a uma realidade onde a selvageria  e a brutalidade começa a imperar. É a população agindo contra as agressões. É a vingança privada.
            Vamos ficar atentos as regras de convivência. Respeito e tolerância devem andar juntos. Se deve haver um clamor e uma luta, que seja pela agilidade e severidade do Estado em punir. Somos um Estado Democrático de Direito e devemos acreditar nas leis e no poder de punição e de proteção do Estado, sob pena de sofremos um retrocesso que causará uma ruptura social.
Mariene Hildebrando
Professora e especialista em Direitos Humanos

E-mail: marihfreitas@hotmail.com