BLOG- Direitos Humanos. Criado pela professora Mariene, especialista em Direitos Humanos. Esse espaço serve para informar, refletir e discutir assuntos relacionados aos Direitos Humanos.Sintam-se a vontade para comentar e postar no blog.
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Rumo aos 70 anos da Declaração dos Direitos do Homem
imagem retirada da internet
No dia 10 de Dezembro deste ano, completam-se 70 anos da declaração universal dos Direitos Humanos. Um marco na busca pela igualdade dos homens e uma data para nunca mais ser esquecida. Nos dias de hoje, pelo menos em princípio, todos os homens nascem iguais. Mas isso já foi muito diferente. E a casta em que se nascia, bem como o sobrenome que se carregava, poderia ser algo que iria definir a sua sorte [boa ou má] pelo resto de sua vida.
No dia 10 de Dezembro deste ano, completam-se 70 anos da declaração universal dos Direitos Humanos. Um marco na busca pela igualdade dos homens e uma data para nunca mais ser esquecida. Nos dias de hoje, pelo menos em princípio, todos os homens nascem iguais. Mas isso já foi muito diferente. E a casta em que se nascia, bem como o sobrenome que se carregava, poderia ser algo que iria definir a sua sorte [boa ou má] pelo resto de sua vida.
Longos foram os anos em que os direitos dos homens eram poucos ou inexistentes. Onde a vida humana eram até mesmo propriedade privada de outros seres humanos, cabendo a estes decidirem se eles possuiriam algum direito ou se desfrutariam apenas do direito de estar vivo para servir. Punições cruéis ou trabalhos forçados eram comuns, e fazem parte da história de todas as civilizações onde o poder de alguns poucos prevalecia sobre a vontade de muitos. E ainda que se pense que em alguns lugares do mundo em que vivemos, estes cenários ainda existam, é inegável que houve um avanço significativo no que diz respeito aos direitos humanos. Hoje é indiscutível que, mesmo o cidadão mais comum, deve ter garantido os seus direitos civis e políticos, seus direitos naturais tais como: direito à vida, à propriedade , à liberdade, à igualdade, à segurança e tantos outros que hoje parecem tão comuns a todos, mas que já nos foram negados em um tempo não tão distante assim. Acontece que todos esses direitos mencionados são aquilo que chamamos de Direitos Humanos fundamentais ou seja, os direitos de todos os seres humanos, direitos naturais, que possuímos desde sempre, são direitos inalienáveis. O fato é que é consenso entre as nações que, nos dias de hoje nenhuma civilização pode sustentar-se sem a ideia de que sem os direitos fundamentais um povo jamais poderá ser completamente livre.
De forma mais detalhada, os Direitos Humanos são um conceito filosófico mais antigo do que se imagina. E têm sua gênese em um momento da história onde essas duas palavras, sequer eram imaginadas. Podendo citar-se o “Cilindro de Ciro” como um precursor dessa ideia. Neste documento, escrito por Ciro II, rei da Pérsia, já eram declarados conceitos como liberdade de religião e abolição da escravatura. Tendo este, chegado a ser descrito como a primeira declaração universal dos direitos humanos já existentes. Já na Roma Antiga, todos seus cidadãos com vida política possuíam a chamada “Cidadania Romana”, e o cristianismo, na Idade Média defendia a igualdade de todos os homens. Bem, se tantos conceitos de liberdade e igualdade surgiram de tempos bastante antigos seria lógico perguntar-se por que demoraram tanto para que pudessem ser devidamente estabelecidos. A verdade é que em toda a história da humanidade a tirania e a opressão foram uma constante entre os povos. E os documentos já mencionados, assim como uma adição de documentos que viriam [como por exemplo a “Magna Carta”] foram uma tentativa de contrabalancear o peso da injustiça que caía de uns homens sobre os outros. Mas um problema recorrente era de que essas declarações eram subjetivas e variavam conforme os povos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos tratou de universalizar os direitos, mostrando que não podiam ser tratados como assuntos particulares de cada Estado.
A Declaração surgiu após a segunda guerra mundial, numa tentativa da ONU- Organização das Nações Unidas- de resgatar a dignidade humana por todos os países, um comprometimento que visa a preservação e a promoção dos direitos humanos.
É um documento internacional que pretende afirmar os direitos universais do ser humano. Segundo o documento, “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”
A violação dos direitos humanos continua ocorrendo em todos os lugares, em vários países, infelizmente. Aqui no Brasil a secretaria de Direitos Humanos divulgou que o número de denúncias de violação desses direitos aumentou 77% em 2012.
Os desafios que ainda temos são grandes. A violência gerada pelo ódio e a discriminação continuam a existir. O desrespeito à pessoa humana também. Pessoas com subempregos, sem ter onde morar, fugindo de guerras, saindo de seus países e muitas vezes não tendo acolhida e ajuda, o tráfico de pessoas, a escravidão, o trabalho infantil, a fome, a educação sucateada,são tantas as violações que não dá para enumerar todas.
Direitos humanos servem para designar a mesma coisa, os direitos fundamentais do homem. Correspondem às necessidades básicas do ser humano, aquelas que são iguais para todas as pessoas e devem ser atendidas para que se possa levar uma vida digna. São princípios que servem para garantir nossa liberdade, nossa dignidade, o respeito ao ser humano para termos uma sociedade com igualdade para todos.
É inegável que a humanidade evoluiu muito na forma como trata seus semelhantes. Ainda estamos longe do ideal imaginado, muitos seres humanos ainda estão desprovidos de seus direitos mais básicos. E por isso mesmo é tão importante ressaltar esta data que virá. Pois ela marca exatamente o ponto em que estamos. Ainda que longe do ideal, é o momento de maior igualdade e justiça que a humanidade jamais vivenciou ou experimentou. Desafios? Temos muitos. Mas a nossa possibilidade de vencê-los é, neste momento, maior do que jamais foi em toda a história da humanidade. E isso é, certamente, um grande motivo para ser comemorado.
Um brinde aos direitos de TODOS os seres humanos!
Um brinde aos direitos de TODOS os seres humanos!
Mariene Hildebrando
e-mail: marihfreitas@hotmail.com
terça-feira, 26 de junho de 2018
Coragem para agir com o coração
Coragem para agir com o coração
“Frequentemente é necessário mais coragem para ousar fazer certo do que temer fazer errado.”
Abraham Lincoln
É preciso coragem para viver, para amar, para ser e estar. Uma qualidade tão importante que existe um dia para se comemorar: Dia 06 de maio.
É preciso coragem para viver corretamente, para lutar pelo que se acredita, para ir em frente quando tudo parece desmoronar.
Coragem para fazer a diferença e para reconhecer quando estamos errados.
Acredito ser a coragem uma qualidade que nem todos possuem. Todos nós sem exceção já passamos por situações que nos fizeram ter vontade de fugir, de correr para não enfrentá-las, por serem situações dolorosas ou que nos apresentavam algum perigo. Aqueles que enfrentam essas situações são diferentes das pessoas, digamos… “comuns”. São pessoas que causam admiração e inveja. Ter coragem é superar o medo.
É preciso coragem para reconhecer que às vezes desperdiçamos tempo e sentimento com pessoas que não tem nenhuma função, nenhum valor, que não agregam que só estão fazendo figuração na nossa vida, e ainda nos sugam.
Quanta energia desperdiçada
Desperdiçamos energia com situações e com coisas também, muitas vezes pelo simples fato de não saber dizer não. É a falta de coragem falando mais alto, não nos deixando agir com o coração. Temos que tirar da nossa vida o que não nos faz bem. E isso inclui algumas amizades em que tu percebes que o amigo é só tu.
Mas é preciso coragem também para aceitar a felicidade. Sim! Quantas vezes nos boicotamos por medo de ser feliz, ou por acharmos que não merecemos tanta felicidade, por não acreditar em nós mesmos e pensar que essa história de ser feliz é um passo para algo ruim que vai chegar e nos desestabilizar, causando sofrimento. Recuamos e tentamos não parecer tão felizes. Melhor não demonstrar tanto, afinal, dizem que a inveja mata.
É meus caros, tenho que dizer que até para ser feliz precisamos de coragem. Minha felicidade pode “incomodar” os mais “sensíveis”. Precisamos de coragem para mudar aquilo que não está bom, a nossa vida, o rumo da nossa trajetória, sair da zona de conforto, daquilo que já não nos preenche, pelo contrário, causa um desconforto. É preciso coragem para romper com paradigmas. É preciso coragem para entrar em um relacionamento e coragem para sair dele, quando já não nos preenche, quando já não faz crescer.
Que tal agir com mais coragem?
Quando agimos conforme aquilo que pensamos, e de acordo com nossa consciência e nosso coração, estamos agindo com coragem.
Os desafios surgem a todo o momento, uns menores outros maiores, faz parte de viver. Somos capazes de enfrentá-los, basta tomarmos consciência da nossa capacidade e transformar o medo em um impulso de coragem e fazer a diferença.
Algumas decisões que sabemos que vão mexer profundamente com a nossa vida exigem mais tempo e atenção, um olhar mais minucioso e uma visão das perspectivas que se apresentam. Depois de pensar e analisar, é jogar o medo fora e ir, sobretudo em frente, porque a vida não espera. Se terei a certeza de que estou fazendo o certo? Não sei só o tempo dirá. Mas escolhas precisam ser feitas sempre, até quando escolho não fazer nada, já estou escolhendo, como diz a letra da canção de Charlie Brown Jr:
Cada escolha uma renúncia, isso é a vida…
E viver minha gente é muito bom. Experiências mil, todo tipo de emoção, risos, lágrimas de dor, de felicidade, sonhos, vivências, aprendizados, um turbilhão de sensações, desejos, renúncias, escolhas, algumas boas, outras não tão acertadas assim, mas nos fazendo sentir vivos, parte de algo, parte da vida.

Viver é um ato de coragem que requer um conhecimento de nós mesmos, das nossas vontades, dos nossos desejos, nossos sonhos, nossas limitações. As possibilidades de acertarmos são enormes quando o desejo vem da alma, daí nos surpreendemos com a coragem que nem sabíamos que possuíamos, que brota da nossa essência de sermos muito mais que corpo. Somos seres únicos com infinitas capacidades, somos seres sempre em construção. Somos alma antes de tudo.
Se você acha que a coragem é para quem não tem medo, se engana. A coragem é para quem é forte, para quem tem força de agir para mudar uma situação difícil, para quem quer fazer a diferença, para quem consegue ser da maneira que é sem importar com o que os outros vão pensar. É lutar pelo que se acredita e ir atrás dos seus sonhos. Viver é correr riscos, é se aventurar a todo instante. Como diz Guimarães Rosa em “O Grande Sertão Veredas”
“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.”
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.”
Direitos Humanos e o meio ambiente
Direitos Humanos e o meio
ambiente
Dia
05 de junho é o dia mundial do meio ambiente. Um dia para lembrarmos como
estamos tratando o lugar que habitamos. O meio ambiente sendo o lugar onde nos
encontramos deve ser nossa preocupação
constante. Preservar os recursos naturais é garantir o nosso futuro e os de
nossos filhos netos, e todas as gerações futuras. Esse preceito está garantido
no nosso Direito Constitucional.
Os direitos de terceira geração estão
consagrados pelos princípios da Solidariedade ou Fraternidade. Entram aí os
interesses coletivos e difusos. São
direitos que tratam do meio – ambiente, da paz, do progresso da humanidade,
cooperação entre os países, da autodeterminação dos povos e outros. Alguns
desses princípios estão em nossa Constituição federal. Se esses direitos estão
baseados no princípio da solidariedade, deduzimos que eles transpassam os
limites do individualismo, se pensa no bem estar de uma sociedade. A ideia de
solidariedade ultrapassa as fronteiras, é global, se prioriza o bem comum, os
interesses da humanidade. Por serem direitos mais recentes, eles estão em
convenções e pactos internacionais e não na Declaração Universal dos Direitos
Humanos. São eles:
Direito a qualidade de vida, a um
meio ambiente cuidado e preservado, à proteção dos recursos naturais, hídricos,
a qualidade do ar que respiramos, a tudo que envolve a ecologia. A proteção ou a degradação do meio ambiente
afeta a todos, uma vez que esse é um bem jurídico que pertence a todos nós. A
nossa Constituição Federal destaca no seu art. 225: Todos têm direito
ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações. É um direito fundamental e está diretamente
ligado a dignidade humana. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente ressaltou que “Os seres humanos estão no centro das
preocupações com o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável
e produtiva, em harmonia com a natureza”
Cabe a todos nós o dever de fiscalizar, de cuidar e defender o meio ambiente. Devemos apostar no
desenvolvimento sustentável como forma de progredirmos, utilizando os recursos
naturais de forma equilibrada. É sabido que só isso não é o suficiente. Ações
conjuntas entre governos e população, instituições e todo tipo de ajuda
disponível e voltada para um meio
ambiente sadio, se faz necessário para preservar a vida no planeta. A conscientização das
pessoas é fundamental para que isso aconteça. Pequenos atos no nosso cotidiano
já fazem a diferença. Temos que ter claro que violando um direito ambiental,
estamos violando direitos humanos também. A utilização racional e cuidadosa dos
recursos naturais é que irá nos garantir qualidade de vida. Como direito
fundamental consagrado no art. 5º da Constituição Federal ele é um direito irrevogável,
do qual a sociedade não pode prescindir, sob pena de colocar em risco a própria
sobrevivência.
O direito a um meio ambiente saudável é um
direito de tríplice dimensão, quais sejam: Individual, social e
intergeracional. O individual diz respeito a termos assegurados o direito a uma
vida sadia, viver com qualidade.
O social, pois é um bem difuso e coletivo, de
todos. Segundo Paulo Affonso Leme Machado “Os bens que integram o meio ambiente planetário, como a água, o ar e o
solo, devem satisfazer as necessidades comuns de todos os habitantes da Terra”.
É Intergeracional (entre gerações), cabe a geração atual a defesa e a preservação do
meio ambiente para as futuras gerações, deve se colocar em prática a
solidariedade com os que virão depois. Devemos utilizar com sabedoria os
recursos sem, no entanto esgotá-los, pois a vida no planeta depende somente de
nós. Promover a convivência harmônica entre a humanidade e a natureza é dever
de todos. Adotar um modelo econômico que não agrida o meio ambiente, que
diminua o consumo, e que nos faça cidadãos mais críticos e conscientes do nosso
papel enquanto indivíduo e enquanto ser que vive em sociedade e, portanto
também tem o dever de agir coletivamente.
Mariene
Hildebrando/ especialista em Direitos Humanos.
e-mail.marihfreitas@hotmail.com
domingo, 22 de abril de 2018
domingo, 8 de abril de 2018
O Uso do Nome Social
O Uso do Nome Social
No dia 12 de março de 2015 o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e
Promoções dos Direitos de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais recomendou
escolas e universidades a garantir o acesso e a reconhecer esses estudantes em suas
dependências. Essa recomendação vale tanto para a rede pública quanto privada.
Dentre as várias mudanças recomendadas esta a que permiti o uso do nome social
nas chamadas, a utilização de banheiros e de vestiários conforme sua identidade
de gênero. A nova norma que permite a utilização do nome social foi aprovada em
setembro de 2017 pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), mas só foi
homologada pelo MEC agora em 17 de janeiro de 2018.
Para entendermos
melhor o que isso significa é preciso dizer que o nome social é aquele com o
qual essa população de gays, lésbicas e travestis se identificam, conforme sua
identidade de gênero. Permitir o uso do
nome social na educação básica (que compreende a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio) nos
remete a um princípio fundamental que rege os Direitos Humanos, que é o
princípio da dignidade Humana. O
respeito ás diferenças é fundamental e
temos que nos empenhar em combater o
preconceito e em incentivar o respeito a diversidade
sexual. É sabido que uma das causas de abandono escolar e de
violência nas escolas é causado justamente pelo bullying e preconceito que a população LGBT sofre. A
norma não atinge apenas o nome social, mas também dá direito ao uso do banheiro
e vestiários de acordo com a identidade de gênero da pessoa. Se houver
uniforme, também poderá a pessoa utilizar o que for mais conveniente. Essa
norma já deveria ter sido aprovada há muito tempo. É uma reivindicação antiga
da população LGBT A norma não possui força de lei, mas tem o respaldo de
princípios e preceitos constitucionais. É inegável que a aprovação da norma é
um avanço importante para a sociedade, mas aí alguns questionam: Como vamos
lidar com isso? Os profissionais da educação estão preparados pra lidar com
essa situação? Na verdade as escolas e os profissionais da educação não estão
preparados para essa realidade. Qual será o procedimento que as escolas
adotarão?Como ficará o uso do banheiro, por exemplo?
Fica evidente que tanto a escola como
professores e pais não estão preparados para lidar com o tema, apesar de
esperarmos que seja no âmbito escolar onde se encontre o meio mais apropriado
para a construção do conhecimento, para discussões de temas tão importantes.
Devido à falta de oportunidades de questionar às sexualidades, ficam
evidenciados também o desconhecimento e a negligência com que o assunto é
tratado, até mesmo como forma de não levantar discussão de algo que gera
polêmica e requer um posicionamento, o que, de uma maneira ou de outra, acaba
nos deixando vulneráveis.O professor precisa perceber que a sua interferência
como educador nas relações escolares deve ser cuidadosa, desde o linguajar às
atitudes; enfim, é todo um processo que requer cuidados especiais e
conhecimento por parte do educador. A diversidade sexual deve ser explorada pelo professor, ele deve levar
o estudante a aprender a respeitar o diferente, através de ações que despertem
o desejo do aluno de querer entender e participar de maneira sadia dessa nova
percepção. O trabalho de inclusão deve ser realizado, é fundamental que a
escola oportunize a esses estudantes condições para que eles se sintam à
vontade para se assumirem e se expressarem sem medos e sem constrangimentos. O
debate deve ser estimulado, a compreensão das questões de gênero é necessária
para que o preconceito deixe de existir, ações de combate ao preconceito e a
discriminação devem ser estabelecidas e serem incluídas nos projetos
pedagógicos. A abordagem do assunto requer planejamento, o tema deve ser
inserido no cotidiano escolar, abordado
de forma interdisciplinar, e isso requer entrega dos professores e isenção de
opiniões pessoais baseadas em seus valores; a questão deve ser tratada da forma
mais natural possível, com respeito e atitudes sadias em relação ao tema
sexualidade.A escola continua sendo um lugar que busca formar cidadãos
conscientes dos seus direitos,
provocar, instigar, favorecer as transformações pessoais e sociais.
O respeito ao ser humano e ao diverso
é fundamental para termos uma sociedade com igualdade para todos.
Mariene Hildebrando
Professora e especialista em Direitos Humanos
quinta-feira, 15 de março de 2018
Love Has No Labels | Diversity & Inclusion | Ad Council
A essência do Amor!
Amor é fundamental! Amor é Amor, seja ele com quem for, do jeito que for.É sempre AMOR.
Amor é fundamental! Amor é Amor, seja ele com quem for, do jeito que for.É sempre AMOR.
terça-feira, 13 de março de 2018
MEC homologa resolução que permite que transexuais e travestis usem o nome social nas escolas do Brasil
G1- Educação
17/01/2018
17/01/2018
O ministro da
Educação, Mendonça Filho, homologou nesta quarta-feira (17)
o uso de nome
social nas escolas de educação básica de todo o Brasil.
A informação foi
divulgada pela assessoria de imprensa do Ministério da Educação
na tarde desta
quarta.
A nova norma,
que havia sido aprovada em setembro
de 2017 pelo
Conselho Nacional de Educação (CNE), e
aguardava a homologação pelo MEC
para entrar em vigor.
Com a mudança,
que vale para todas as escolas de educação básica, os estudantes
poderão
solicitar que as escolas usem seus nomes sociais, e não os que constam no RG,
em documentos de identificação, listas de presença e outros documentos oficiais
escolares.
Se o ou a
estudante tiver mais de 18 anos, ele ou ela poderá fazer o pedido diretamente.
No caso de estudantes com menos de 18 anos, o pedido deve ser feito pelo pai, a
mãe
ou a pessoa responsável.
De acordo com o
MEC, durante o evento, Mendonça Filho afirmou que a regulamentação
do nome
social para travestis e transexuais na educação básica "representa um
princípio
elementar do respeito as diferenças, do respeito à pessoa
humana". Ele disse ainda que a
mudança faz parte do combate do MEC ao
preconceito e ao bullying, e afirmou que esse
"é um passo relevante para o
princípio do respeito às diferenças e o combate aos preconceitos".
Respeito
às diferenças
Ainda segundo o
ministro, a reunião em que foi feita a homologação da nova norma
contou com a
presença de ativistas do movimento LGBTI, incluindo Luma Nogueira de Andrade,
que foi a primeira travesti do Brasil a
conquistar um título de doutorado e hoje é
Na nota
divulgada pelo MEC nesta quarta, Luma celebrou a mudança.
"O nome ser
negado significa o não acesso aos espaços educacionais.
Portanto, se trata de
um direito fundamental que é a educação.
Tenho que ter o mesmo acesso à escola
como todas as pessoas neste país,
considerando as minhas singularidades",
explicou ela.
sábado, 27 de janeiro de 2018
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Defensores dos Direitos Humanos são hipócritas e histéricos???
Segundo li num artigo publicado por Cristina
Miranda em um blog chamado Blasfémias, é isso que ela acha que são os
defensores dos Direitos Humanos.
Hipócritas são todos os que
fecham os olhos ao que ocorre não só na Venezuela, mas no mundo. Os defensores
dos Direitos Humanos são menos hipócritas porque segundo o que está escrito no
texto , eles são histéricos, e ser histérico quer dizer que se exaltam, se
irritam e não ficam calados diante das injustiças. Todo cidadão pode e deve
agir de acordo com o que acredita, Independente de ser defensor dos Direitos
Humanos. As injustiças praticadas por governos ditatoriais, corruptos, e, que
praticam o total desrespeito aos direitos do homem não é novidade. Como
cidadãos devemos nos posicionar e tomar atitudes contra atos desumanos ou de
privação de direitos. Se bancar o
histérico vai chamar atenção para o problema, vai mobilizar pessoas, governos,
entidades, vai fazer com que mais pessoas despertem para os problemas
existentes no mundo, que não se resumem a Venezuela, então está muito bom. Chamar
de hipócrita quem tenta dar voz aos que necessitam, quem procura tentar
diminuir as diferenças é no mínimo uma atitude leviana e de desrespeito
a quem tenta fazer algo pelo outro. Atacar os defensores dos Direitos
humanos e tratar com desconsideração quem luta pelo direito, é bem mais fácil
que atuar de modo concreto.
Sempre desconfiei de pessoas
que se julgam juízes capazes de julgar e sentenciar sem a menor culpa.
Concordo que existe um “silêncio
ensurdecedor” sobre o que se passa na Venezuela,e na África, e com o que acontece aos
refugiados, e com a fome no mundo, com as mortes e atrocidades cometidas em
nome da intolerância religiosa, com os desmandos dos governantes, com a falta
de comida, de moradia, de emprego, tráfico de pessoas etc... os problemas são
muitos, poderia continuar enumerando mais uma centena de violações aos direitos humanos e de violação da
dignidade humana.
Segundo essa senhora:
Onde andam os histéricos
defensores dos direitos do homem? Não andam.
Sumiram.
Sinto dizer que estão por aí só tentando ajudar, dar voz e lutando pelos mais fracos e necessitados, fazendo algo, em vez de apenas criticar.
Precisamos de mais ação e menos falação!
o artigo: https://sim-senhor-ministro-cristinamiranda.blogspot.com.br/2018/01/onde-estao-os-hipocritas-defensores-dos.html?spref=fb
sábado, 23 de dezembro de 2017
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Feliz Natal!
Quero agradecer a todos que passaram pela
minha página ao longo desse ano. Todos que tiraram um tempinho para ler
minhas postagens, meus artigos e crônicas. Todas as
mensagens que recebi por e-mail. As trocas e o carinho recebido só
me incentivam a continuar escrevendo.
Saber que de alguma maneira posso ajudar ou
fazer a diferença com aquilo que compartilho, me dá uma enorme
satisfação.
Desejo a todos vocês, a esperança de dias melhores, o fortalecimento dos
Direitos Humanos, o aumento de compreensão e da tolerância. Que o
preconceito diminua e que antes de qualquer coisa a gente perceba
que somos “seres humanos”. Não temos cor, minha religião
não me define, minha sexualidade não me diz quem eu sou. O que me
define é o meu caráter, os meus valores e crenças.
Promover um novo jeito de pensar e agir é compromisso nosso, é um
caminho para se viver melhor e em paz.
Feliz Natal !
domingo, 3 de dezembro de 2017
Trabalho escravo até quando?
Imagem retirada da internet
Trabalho escravo até quando?
Parece mentira falar que existe trabalho escravo no mundo e no Brasil. Mas existe. O trabalho escravo foi abolido no Brasil em 1888 pela Lei Áurea. O art. 149 do Código Penal Brasileiro diz que:
Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto:
Dados do Ministério do Trabalho informam que nos últimos 20 anos foram resgatados quase 50 mil trabalhadores que se encontravam em situações semelhantes às de escravidão. As condições semelhantes eram: “Submissão a trabalhos forçados; Jornada exaustiva; condições degradantes de trabalho; restrição da locomoção em razão de dívida, trabalho forçado.”
O Brasil foi um dos primeiros países a admitir que o problema do trabalho escravo existia no país, e assumiu isso perante a OIT (Organização Internacional do Trabalho). Pelas medidas tomadas que acrescentaram outros tipos de exploração ao trabalho escravo, viramos modelo de combate desse crime perante a comunidade internacional. Esse tipo de trabalho aparece em várias atividades econômicas desde as ligadas as atividades rurais e mais recentemente tem aparecido nas grandes cidades, nos ramos de construção civil, têxtil etc... Infelizmente ele está presente na maioria dos estados. O estado com maior percentual desse tipo de trabalho é o Pará. A maioria dos trabalhadores são homens e são aliciados com falsas promessas de bons salários e trabalho digno, vão em busca de uma vida melhor, e só encontram situações indignas, onde os direitos básicos são desrespeitados. Dentre os aliciados estão os estrangeiros que se encontram em situação mais vulnerável ainda, pois a maioria não se encontra em situação regular, essa desvantagem acaba servindo de munição para aqueles que exploram e vilipendiam os direitos humanos. Somam-se a esse quadro desolador o fato de uma boa parte desses trabalhadores serem analfabetos, possuírem pouco estudo, não terem acesso à informação e a educação adequada, o que torna a manipulação por parte do explorador mais fácil de ser realizada.
O trabalhador não consegue se desligar daquele que o está coagindo, se vê envolvido em dívidas intermináveis, sofre pressão psicológica, moral, e não dispõe mais sobre sua vida. A Declaração Universal dos Direitos Humanos diz em seu Artigo 4.º Ninguém pode ser mantido em escravidão ou em servidão; a escravatura e o comércio de escravos, sob qualquer forma, são proibidos.
O trabalho escravo fere a dignidade da pessoa humana, um direito básico e fundamental, pois a falta de dignidade também nos torna escravos, tanto quanto as condições indignas de trabalho, a falta de liberdade para ir e vir. A Declaração de Direitos Humanos diz que: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos.” No momento em que temos nossos direitos violados e desrespeitados, homens escravizando outros homens, perdemos um pouco a fé na humanidade e começamos a duvidar que o Estado possa nos proteger e garantir nossos direitos.
Toda essa discussão veio à tona pelo impacto causado pela nova portaria que tornou as normas referentes ao trabalho escravo, menos rígidas. Um retrocesso em uma luta que está longe de acabar. A portaria viola direitos e princípios básicos da Constituição Federal, e desconsidera compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em relação a esse assunto.
Agora, para ficar caracterizado a condição de escravo, é necessário a privação do direito de ir e vir, as demais condições por si só não bastam sem esse requisito. O trabalhador que estiver trabalhando em condições precárias e desumanas, em jornadas de trabalho extenuantes, recebendo salários indignos, se não tiver sua liberdade de locomoção cerceada, não realiza trabalho escravo. Toda a polêmica causada pela portaria serviu para que a discussão sobre esse assunto tão delicado voltasse a fazer parte das conversas e debates do nosso cotidiano. Algo vai mudar, mas não para pior, estamos atentos para não deixar isso acontecer.
A fiscalização tem que ser intensificada. O Estado tem que investir em políticas públicas que gerem empregos e rendas, tem que investir em educação, pois o conhecimento é fundamental. Investir na prevenção e pelo fim do trabalho escravo. Combater em todas as frentes. A dignidade da pessoa humana é um direito que tem que ser protegido pelo Estado.
Houve um pedido do Ministério Público Federal para que a portaria que modificou o que se entende por trabalho escravo fosse revogada, até o momento em que escrevi esse artigo, a ordem não tinha sido cumprida. Esperamos que esse retrocesso e falta de respeito pelos direitos humanos não se concretize. Esse abrandamento das regras é uma ameaça a trabalhadores humildes e fere preceitos fundamentais da Constituição Federal.
Mariene Hildebrando
E-mail: marihfreitas@hotmail.com
domingo, 27 de agosto de 2017
Lésbicas: A invisibilidade leva a marginalização
29
de agosto, é considerado o dia Nacional
da visibilidade Lésbica. A data foi criada no 1º Seminário Nacional de
Lésbicas em 1996, por lésbicas brasileiras. E qual o motivo de se criar uma
data para elas? O motivo é sempre o mesmo quando falamos de minorias
discriminadas e vítimas de preconceitos, mostrar as pessoas que essa realidade
existe e que por conta disso a mulher lésbica sofre violência de todo tipo,
física, verbal e psicológica em todos os lugares que frequenta. Enfrentam a
lesbofobia, a misoginia, e as mulheres negras lésbicas ainda enfrentam o
preconceito racial junto. As mulheres
lésbicas são invisíveis no sentido de que sua realidade é ignorada. Ser
desprezada por sua orientação sexual, ter seus direitos violados, sofrer
estupro corretivo ( Estuprar com a finalidade de corrigir e punir as lésbicas,
bissexuais, trans, com a intenção de transformá-las em mulheres ), tamanha
violência e ignorância não tem explicação. Acredita-se que o índice de suicídios entre as lésbicas é maior
do que se apresenta, mas há poucos
estudos sobre esses dados. A invisibilidade já se apresenta nessa falta de
dados, sem um estudo mais detalhado dessa realidade não se implementam
políticas e ações públicas para combater a violência e a discriminação, como se
o problema não existisse. A violência contra essas mulheres é ignorada pelo Estado,
vários casos de violência aconteceram recentemente e pouco se falou sobre isso,
não houve divulgação desses assassinatos, não há essa preocupação de fazer o
registro e de saber onde eles estão acontecendo, como estão ocorrendo. O Estado
ignora essa violência.
As
lésbicas e bissexuais sofrem pelo menos um estupro corretivo por mês. Os
bissexuais, os homens transgêneros estão
incluídos nessa violência toda. O que mais impressiona é constatar que a violência
também é provocada por pessoas que convivem com a vítima, pessoas próximas, ex-
parceiros. O preconceito ocorre em todos os espaços. Muitas não sabem que podem
contar com a Lei Maria da Penha que também é para casais homossexuais. Outra
consequência da invisibilidade é a desinformação e a falta
de preparo dos profissionais da saúde para lidar com essa população. Não
existem políticas sexuais para essas mulheres, como se a saúde sexual delas não
fosse importante, como se não estivessem sujeitas a doenças e contaminação como
qualquer pessoa.Os direitos fundamentais do homem proclamados na Constituição Federal e na
Declaração dos Direitos Humanos continuam sendo violados, o desrespeito
praticado pela sociedade em geral, o despreparo dos profissionais da educação,
a discriminação religiosa, as agressões de toda ordem, o ódio, a exclusão
provocada pela ignorância, são fatores discriminatórios perpetrados contra os
homossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segregação social de
pessoas que têm uma sexualidade distinta. Assim acontecem a cada hora atos de
violência, atos de crueldade e humilhação contra a população homossexual,
lésbicas, gays, transexual.
Existir um dia da visibilidade lésbica é necessário para que nos conscientizemos
sobre a desumanidade dos atos violentos
que são infligidos a essas mulheres diariamente, para que a gente perceba a
crueldade, a humilhação, o descaso com essa população. Quando
chegará o dia em que a orientação sexual não fará diferença? A orientação sexual não
diz quem a pessoa é, não faz o
seu caráter, os valores de uma pessoa não são pautados pelo sexo, e sim por
aquilo que acreditam e respeitam. Ser mulher já é motivo para sofrer
discriminação, imagine mulher e lésbica! Desrespeitar e desvalorizar alguém,
humilhando e discriminando em função de sua orientação sexual, é tratar com
desigualdade e ferir a dignidade do ser humano. Não podemos aceitar que
discriminações/preconceitos validem e limitem direitos que são essenciais e fundamentais para a sociedade. O
direito independente de estar na Lei Maior, deve antes ser importante para o
indivíduo e para a sociedade, deve ser fundamental para o ser humano. A declaração Universal dos Direitos Humanos
proclama em seu “Artigo 1° “
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em
direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os
outros em espírito de fraternidade.” Infelizmente o
Brasil está entre os países em que há o maior número de assassinatos por
orientação sexual. Pelo menos um a cada 28 horas, e mais
de 90% deles motivados pela homofobia., que é
a aversão e o preconceito aos homossexuais. É preciso respeitar essa
minoria, dar espaço para elas falarem, parar com o massacre duplo que sofrem
(mulher e lésbica), parar de achar que a heterossexualidade é obrigatória,
mostrar aos homens que elas não são ameaças ao seu patriarcado, e que
ser lésbica não é modinha. Perseguir e marginalizar as lésbicas com a intenção
de calá-las não vai fazer com que o problema desapareça. Lésbicas contribuem
para a sociedade tanto quanto qualquer outra pessoa. A ONU reconhece o dia da visibilidade lésbica., criou a campanha “Livres
e Iguais” que destaca a importância do
apoio familiar para as pessoas LGBT, conscientiza sobre o preconceito e luta
por uma sociedade mais justa. É preciso que os casais LGBT tenham uma
legislação que lhes garanta os seus direitos, vamos legitimar o que já é
jurisprudência.
A dignidade da pessoa humana só está
garantida quando direitos fundamentais como liberdade e igualdade estão
protegidos, garantidos, e, principalmente respeitados, pelo Estado que deve
zelar e cuidar de seus cidadãos, e pela sociedade que deve ter um olhar de
igualdade e sem preconceito com o ser humano independente de sua orientação
sexual
Mariene Hildebrando
quinta-feira, 6 de julho de 2017
A Desigualdade de Gênero: Homem x Mulher
A desigualdade
de gênero não é um “privilégio” do Brasil. Infelizmente ela existe desde a
antiguidade e persiste até nossos dias. Mas afinal o que é gênero? Gênero pode
ter vários significados, aqui nos interessa o significado de gênero em relação
ao homem e a mulher. Alguns conceitos:
“Conceito
que engloba todas as características básicas que possuem um determinado grupo
ou classe de seres ou coisas.”
“Conjunto
de seres ou objetos que possuem a mesma origem ou que se acham ligados pela
similitude de uma ou mais particularidades.”
Nossa
constituição estabelece em seu artigo 5º, inc. 1º:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos
termos desta Constituição ;
Temos garantida a
igualdade de todos constitucionalmente,
no entanto, esse amparo legal sofre diversas violações no dia-a-dia, o desrespeito
a esses direitos acontece a todo o momento, expondo a fragilidade de nossas
normas jurídicas perante séculos de discriminação contra a mulher. A mulher
precisa trabalhar dobrado para conseguir um salário igual ao do homem. Tem
dupla ou tripla jornada de trabalho, visto que trabalha em casa também. A
mulher sempre foi vista como um ser inferior e que devia submissão ao homem, e,
embora esse quadro venha mudando ao longo dos anos, através de lutas e
movimentos feministas, a participação feminina na política, na educação, no
mercado de trabalho continua desigual.
A desigualdade de gênero fere princípios e direitos básicos do ser
humano, no caso a mulher em especial. Fere o princípio da dignidade humana É
sobre a liberdade e a igualdade que está fundamentada a dignidade da pessoa
humana. Desrespeitar e desvalorizar alguém, tratar de maneira diferenciada,
humilhando e discriminando em função de gênero, é tratar com desigualdade e
ferir a dignidade do ser humano. Não é aceitável que
discriminações/preconceitos sejam eles de que tipo forem, invalidem e limitem
direitos que são essenciais e
fundamentais para a democracia, agindo assim com certeza estaremos fortalecendo
a desigualdade social que já existe. Há quem defenda a tese de que homens e
mulheres por serem biologicamente diferentes teriam justificadas as
desigualdades existentes. É inadmissível usar as desigualdades biológicas para
justificar seja lá o que for que exclua a mulher, que discrimine, que use de violência, que produza qualquer tipo
de injustiça.
A expressão gênero foi utilizada pela primeira
vez no Brasil na Convenção de Belém do Pará em agosto de 1996. Está incorporada nas legislações de
vários países bem como nas normas internacionais. No Estatuto do Tribunal Penal
Internacional (Roma 1998) está incorporado o conceito de gênero: o art. 7º,
item 3, “entende-se que o termo “gênero” abrange os sexos masculino e feminino,
dentro do contexto da sociedade, não lhe devendo ser atribuído qualquer outro
significado”.
A
ONU divulgou o relatório O Progresso das mulheres no mundo, (2015-2016),que mostra
que as mulheres recebem um salário quase 30% inferior ao do homem na mesma
função. Segundo a ONU, “as mulheres são responsáveis por uma carga excessiva de
trabalho doméstico não remunerado referente aos cuidados com filhos, com
pessoas idosas e doentes e com a administração do lar.” ( Agência Brasil/Direitos
Humanos).
A
ONU Mulheres foi criada em 2010 para tratar da igualdade de gênero e
empoderamento das mulheres, investindo na capacidade econômica das mulheres como
forma de garantir a diminuição da desigualdade existente. Segundo a ONU o
Brasil tem trabalhado para que essas
diferenças diminuam, e se destacou pela criação de mais trabalho para a mulher e por políticas de
inclusão na vida econômica do país. Ações públicas que se propõe a diminuir as
desigualdades são de extrema importância e permitem que avancemos na luta por trabalhos decentes e redução da
desigualdade salarial entre homens e mulheres, maior participação política da mulher, e tantas outras medidas que podem
ser tomadas e que valorizem o papel da mulher no desenvolvimento do país.
Não
é fácil mudar uma história de anos de preconceito e discriminação de uma sociedade
patriarcal. As desigualdades não são apenas a nível cultural, mas econômicas, políticas,
e decisórias. Apesar das mulheres superarem os homens em nível de escolaridade,
de representarmos mais da metade da população e do eleitorado, e sermos quase
50% da população economicamente ativa do país, o abismo entre homens e mulheres
ainda é grande. Precisamos ocupar os
espaços que ainda não ocupamos em função da desigualdade acentuada, políticas
de enfrentamento são bem-vindas. O que queremos é uma sociedade mais justa e
igualitária que garanta a todos, igualdade e oportunidade, independente do
gênero, da cor, da raça.
Mariene Hildebrando
Especialista em Direitos Humanos
Email: marihfreitas@hotmail.com
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